Basta de polarização! O Brasil precisa de vozes que conectem as pontas do agronegócio com a realidade do cidadão comum e que conclamem os atores políticos a tomar atitudes adultas e a perceber por que a reforma tributária no setor de Pet Food é uma questão de sanidade econômica e ambiental.

A pujança da pecuária brasileira é motivo de orgulho nacional. Somos o "celeiro do mundo", enviando cortes nobres para os mercados mais exigentes do planeta. No entanto, há um desafio logístico e ambiental nos bastidores que atinge diretamente o industrial de insumos, o fabricante de maquinário e o cidadão contribuinte: o destino do que "sobra" da produção de carne.

1. A engrenagem da reciclagem animal e o Pet Food

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Para cada quilo de carne nobre exportada, existe uma quantidade significativa de subprodutos que não vão para a mesa humana. Segundo dados da ABRA (Associação Brasileira de Reciclagem Animal), o setor processa anualmente mais de 13 milhões de toneladas de resíduos de abate (ossos, vísceras e gorduras), transformando-os em cerca de 5,4 milhões de toneladas de farinhas e gorduras.

A indústria de Pet Food é o destino nobre e essencial desse material. Sem ela, esses insumos teriam um final sombrio: lixões e aterros, servindo de alimento para ratos e urubus, gerando passivos ambientais e riscos sanitários graves.

2. O paradoxo tributário: 52% de impostos

O cenário atual é de uma profunda injustiça fiscal. Enquanto a carne nobre exportada conta com desonerações para ser competitiva, o alimento para cães e gatos no Brasil carrega uma das cargas tributárias mais pesadas do mundo.

- Carga Tributária Total: Aproximadamente 52,2% do preço do Pet Food é composto por impostos (ICMS, PIS, COFINS e IPI). 

- Comparação: Enquanto no Brasil o imposto ultrapassa os 50%, na Europa a média é de 18% e nos EUA em torno de 7%.

3. Impacto para a indústria de máquinas e insumos

Para os industriais que fabricam extrusoras, secadores e sistemas de automação, essa carga tributária funciona como um "freio" ao investimento. Ao encarecer o produto final, o governo limita o crescimento do mercado interno, que produziu cerca de 4 milhões de toneladas de ração em 2023. Uma redução tributária significaria maior demanda por tecnologia e expansão das plantas fabris. Em outras palavras,  mais empregos!

Justiça social e fiscal

Não é aceitável que o cidadão brasileiro pague impostos de "produto de luxo" para alimentar seu animal, enquanto esse mesmo alimento é a peça-chave para que os resíduos do boi não apodreçam a céu aberto. Reduzir o imposto do Pet Food é garantir a viabilidade das nossas exportações de carnes nobres e respeitar o bolso e o cérebro do contribuinte.

Cada porção de alimento que deixa de ser consumida, segue direto para o estômago de ratos e urubus, gerando prejuízos à indústria, custos para as prefeituras e propagando doenças, ao passo que poderia ser feita uma justiça fiscal, taxando todo tipo de alimentos e remédios com um imposto razoável, pois ninguém compra esses itens por esporte, são primeira necessidade para seres vivos, humanos e pets. O tutor que retira um animal da rua e compra ração, é um parceiro do Poder Público, está contribuindo com impostos e colaborando no controle de zoonoses, sem onerar a Prefeitura!

Se o cachorro da rua deixa de ser adotado porque sai caro cuidar dele, a redução de impostos permitiria ao mercado pet simplesmente DOBRAR de tamanho em questão de meses e bastaria que os parlamentares brasileiros deixassem de legislar sobre futilidades e demonstrassem uma mínima brasilidade, deflagrando simultaneamente uma Aliança Nacional de Adoção - envolvendo uma grande campanha de Mídia e um pacote fiscal - e reduzindo drasticamente os impostos. Será isso impossível num ano eleitoral?

O efeito seria imediato, milhões de animais adotados, ajudando a melhorar a qualidade de vida deles mesmos e dos tutores, gerando empregos e paz social e garantindo uma destinação ambientalmente correta a todos os animais de corte e ainda possibilitando que o Brasil continue sendo competitivo no mercado internacional. Por favor, que alguém conteste estas informações ou que se engajem logo nesta grande corrente do bem e mostrem ao mundo quem nós somos de fato!

 

FONTES DOS DADOS:

- Abate Recorde: IBGE (Pesquisa Trimestral do Abate de Animais 2024).

- Resíduos e Reciclagem: ABRA (Associação Brasileira de Reciclagem Animal).

- Tributação: Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação).

- Produção de Ração: Abempet (Associação Brasileira de Entidades do Setor Pet).