O programa Paraná Mais Verde, referência nacional em restauração ambiental, está em fase de expansão. O governo do estado anunciou a ampliação da produção nos 19 viveiros florestais e dois laboratórios de sementes administrados pelo Instituto Água e Terra (IAT), órgão vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest). A meta é chegar em 2027 com um aumento de 20% no número de espécies produzidas, totalizando cerca de 190 mudas diferentes à disposição da população.

Atualmente, o IAT conta com uma carteira de 163 árvores nativas. Em 2023, o programa incorporou cinco novas espécies consideradas ameaçadas de extinção, comuns nas macrorregiões de Guarapuava (Centro) e Ponta Grossa (Campos Gerais): coerana-lisa (Cestrum intermedium), anzol-de-lontra (Strychnos brasiliensis), guaburiti (Plinia rivularis), grão-de-galo (Celtis iguanaea) e ibirubá (Eugenia neoverrucosa). Esse incremento representou um aumento de 3% na variedade oferecida.

Para 2026, a previsão é adicionar mais nove exemplares de plantas, incluindo o butiá-da-serra (Butia eriospatha), uma palmeira com amplo potencial econômico nas áreas de alimentação, artesanato, paisagismo e restauração. O butiá encontra-se atualmente na lista de espécies classificadas como vulneráveis.

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Segundo Mauro Scharnik, gerente de Restauração Ambiental do IAT, a ampliação da variedade de espécies melhora a qualidade das áreas restauradas e tem impacto significativo no meio ambiente paranaense. "De maneira geral, ao ampliar a variedade de espécies oferecidas, estamos melhorando a qualidade das áreas que serão restauradas, com impacto bastante significativo no meio ambiente do Paraná. Isso inclui, por exemplo, a maior oferta de alimento para a fauna silvestre, garantindo a conservação de diversas espécies de animais", afirmou.

A expansão do plantel está diretamente ligada a um acordo de cooperação assinado em 2023 entre o IAT e a Sociedade Chauá, entidade sem fins lucrativos e referência na proteção à natureza e na conservação de espécies ameaçadas da Floresta Ombrófila Mista. A parceria envolve intercâmbio de sementes, plântulas e mudas, além de capacitação técnica das equipes.

"Esse acordo permite ampliar o conhecimento técnico sobre espécies nativas de difícil propagação, aquelas que raramente são produzidas em viveiros devido à complexidade na coleta dos órgãos reprodutores ou à falta de informações sobre o manejo de cultivo. Agregamos também o intercâmbio de material genético, garantindo mudas de qualidade e em maior variedade", explicou Scharnik. "Tudo isso nos possibilitou mirar esse número bastante robusto para 2027, que é ter a condição de oferecer quase 200 mudas de espécies nativas do Paraná nos nossos viveiros", acrescentou.

Os viveiros administrados pelo IAT estão distribuídos por 19 municípios: São José dos Pinhais, Engenheiro Beltrão, Salgado Filho, Cascavel, Cornélio Procópio, Guarapuava, Fernandes Pinheiro, Ivaiporã, Jacarezinho, Morretes, Ibiporã, Mandaguari, Pato Branco, Tibagi, Pitanga, Paranavaí, Toledo, Umuarama e Paulo Frontin. Os laboratórios de sementes ficam em São José dos Pinhais e Engenheiro Beltrão.

A parceria com a Sociedade Chauá integra o programa Paraná Mais Verde, que incentiva o plantio de mudas nativas para aliar desenvolvimento ambiental, econômico e social. O programa também estimula a população a plantar árvores em áreas urbanas ou rurais, colaborando no equilíbrio do clima. As mudas são destinadas a locais que precisam ser recuperados ou que têm pouca arborização.

São seis linhas de atuação: Revitaliza Viveiros, Viveiros Socioambientais, Incentivo a Espécies Ameaçadas de Extinção, Datas Comemorativas, Parques Urbanos e Poliniza Paraná. O objetivo é fortalecer a produção de mudas nativas e de exemplares ameaçados, contribuindo para a conservação da biodiversidade no estado.