O governo do Irã ameaçou romper o frágil cessar-fogo estabelecido com os Estados Unidos e retaliar Israel após os sucessivos bombardeios realizados contra o Líbano nesta quarta-feira (8). Fontes do governo iraniano informaram às agências de notícias do país que Teerã estuda retomar os ataques devido ao que consideram rompimento do acordo por parte de Israel.
"O Irã pode se levantar em uma ofensiva de defesa em grande escala a qualquer momento, já que o regime israelense está recorrendo à violação de um cessar-fogo frágil e temporário", alertou um alto funcionário da segurança iraniana, segundo a mídia estatal Press TV. O alto funcionário pediu que os países mediadores intervenham imediatamente na crise.
O Irã exige que o cessar-fogo envolva todas as frentes de batalha, incluindo o Líbano e a Faixa de Gaza, alvos de bombardeios israelenses nos últimos 40 dias de guerra no Oriente Médio. A posição foi reforçada por Ebrahim Rezaei, porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, que defendeu a suspensão do cessar-fogo e o fechamento do Estreito de Ormuz.
"Em resposta à invasão selvagem dos sionistas ao Líbano, agora mesmo deve-se parar o tráfego de navios no Estreito de Ormuz. Os libaneses deram suas vidas por nós, e não devemos deixá-los sozinhos nem por um momento. Cessar-fogo ou em todas as frentes ou em nenhuma frente", declarou Rezaei em rede social.
Em comunicado divulgado pela mídia iraniana, as Forças Armadas do país informaram que manterão controle "inteligente" sobre o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo e gás mundial, sem especificar como seria esse controle. A reabertura do estreito por duas semanas havia sido uma das condições para o cessar-fogo entre EUA e Irã.
Do lado israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse apoiar o acordo costurado entre os EUA e o Irã, mas acrescentou que o Líbano ficaria fora do cessar-fogo. As Forças de Defesa de Israel (FDI) informaram ter bombardeado 100 alvos em dez minutos no sul do Líbano e em Beirute.
O Ministério da Saúde do Líbano informou que, em contagem preliminar, os ataques de hoje causaram "dezenas de mortes e centenas de feridos". Vídeos de prédios destruídos no centro da capital libanesa circulam amplamente nos veículos do país vizinho.
O Hezbollah pediu aos moradores deslocados pela guerra que não retornem às suas residências até que o cessar-fogo seja oficialmente decretado no Líbano. Enquanto isso, o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, lamentou os ataques de Israel contra bairros residenciais e densamente povoados.
"[Israel não se importa] com todos os esforços regionais e internacionais para deter a guerra, não obstante o desprezo total pelos princípios do direito internacional e do direito internacional humanitário, que nunca respeitou de fato", escreveu Salam em rede social.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que mediou o frágil cessar-fogo entre o Irã e os EUA, afirmou que a violação do acordo compromete seriamente o processo de paz. "Eu apelo sinceramente e com toda a seriedade a todas as partes para que exerçam moderação e respeitem o cessar-fogo por duas semanas, conforme acordado, para que a diplomacia possa assumir um papel de liderança rumo a uma solução pacífica para o conflito", afirmou em mensagem nas redes sociais.
Até ontem, o Ministério da Saúde do Líbano calculava que a atual fase do conflito, iniciada no dia 2 de março, matou mais de 1,5 mil pessoas, ferindo mais 4,8 mil. Israel ainda bombardeou 93 unidades de saúde libanesas e 57 profissionais de saúde foram assassinados. Mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas de suas residências no período.
A situação permanece extremamente tensa, com o Irã mantendo a ameaça de retaliação e possível fechamento do Estreito de Ormuz, o que poderia impactar significativamente o mercado global de energia. A comunidade internacional acompanha com preocupação os desdobramentos, enquanto os esforços diplomáticos tentam evitar uma escalada ainda maior do conflito.

