A Polícia Federal (PF) confirmou, em nota divulgada nesta quinta-feira, a prisão de Alexandre Ramagem pelo serviço de imigração dos Estados Unidos, o ICE. A detenção ocorreu na cidade de Orlando, na Flórida, e, segundo a PF, decorreu "de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA". A nota acrescenta que a prisão é "fruto da cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado".
Ramagem, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), é considerado foragido da Justiça brasileira. A PF explicou que ele foi condenado pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito. O nome de Ramagem aparece no site do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos com a situação "sob custódia do ICE", embora o local exato de detenção não tenha sido informado.
Em setembro do ano passado, Alexandre Ramagem fugiu do Brasil após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição do Estado Democrático de Direito. Proibido de sair do país, o ex-deputado saiu pela fronteira com a Guiana e embarcou para os Estados Unidos com um passaporte diplomático que não estava apreendido. Seu nome consta na lista de foragidos procurados pela Interpol.
O governo brasileiro, por meio da Embaixada do Brasil em Washington, solicitou aos Estados Unidos a extradição de Alexandre Ramagem. O pedido foi entregue ao Departamento de Estado no final de dezembro de 2025, e agora, com a prisão, o processo de extradição pode avançar. Ramagem perdeu o mandato parlamentar em dezembro de 2025, por ato da Mesa da Câmara, em razão da condenação no STF, e foi demitido da Polícia Federal, onde era delegado de carreira.
Em fevereiro, Ramagem prestou depoimento, por videoconferência, ao STF na ação penal da trama golpista. O processo estava suspenso e voltou a tramitar após ele perder o mandato. A cooperação entre Brasil e Estados Unidos neste caso destaca os esforços internacionais no combate ao crime organizado e à impunidade, com a PF enfatizando a importância da parceria para a justiça.

