O governo federal está desenhando um novo plano de apoio para setores da economia brasileira que continuam sofrendo os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos. A iniciativa, que está sendo chamada de "Brasil Soberano 2", visa oferecer suporte a empresas que atuam em segmentos como aço, alumínio e autopeças, que enfrentam alíquotas extras de até 50% no mercado americano.

O anúncio foi feito pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, nesta quinta-feira (27). "Estamos estudando para podermos dar um apoio às empresas que estão na Sessão 232", afirmou o ministro, referindo-se à seção da legislação americana que impõe as tarifas. Além do aço e do alumínio, que pagam alíquota extra de 50%, as autopeças também estão na lista, com tarifa de 25% no mercado dos EUA.

De acordo com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, a ideia é que o novo plano seja uma espécie de continuação do "Brasil Soberano", medida criada no ano passado para socorrer exportadores afetados pelo aumento das tarifas, o chamado tarifaço. "Tivemos uma boa experiência com o Brasil Soberano e faremos um Brasil Soberano 2.0. Essa é a ideia básica", disse Mercadante.

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O presidente do BNDES destacou que o novo programa utilizaria apenas recursos que já estão disponíveis no banco, sem necessidade de recorrer ao Tesouro Nacional. "Os recursos já existem, agora tem que ser modelado. A Fazenda está estudando e diz que já desenhou a iniciativa. Nós estamos aguardando agora para o presidente Lula definir a estratégia, mas os recursos existem", explicou Mercadante durante evento na capital paulista.

No primeiro programa Brasil Soberano, o BNDES ofereceu uma linha de crédito extraordinária de R$ 30 bilhões, mas apenas cerca de R$ 17 bilhões foram utilizados pelas empresas. A proposta agora é destinar parte dos recursos remanescentes para socorrer os setores que continuam sendo impactados pelas tarifas americanas. "São empresas que estão sendo desvalorizadas de forma mais longeva", justificou Mercadante.

A iniciativa surge em um momento em que o governo busca fortalecer a indústria nacional e proteger setores estratégicos da economia. O plano ainda está em fase de estudos e aguarda a definição final do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a estratégia a ser adotada. Enquanto isso, setores como o metalúrgico e o automotivo acompanham com expectativa os desdobramentos das negociações.

O anúncio ocorre paralelamente a outras medidas econômicas do governo, como a manutenção da bandeira tarifária verde nas contas de luz em março e a derrubada do aumento de imposto para smartphones e eletrônicos. Alckmin também comentou sobre o acordo Mercosul-União Europeia, afirmando que deve entrar em vigor em maio, o que poderia abrir novos mercados para os produtos brasileiros.