Casa Branca lança site com versão de Trump sobre invasão ao Capitólio

Página oficial defende perdão aos manifestantes e culpa Nancy Pelosi pelo episódio de 2021

Publicado em 07/jan/26 | 11:01
Casa Branca lança site com versão de Trump sobre invasão ao Capitólio
Fonte: Agência Brasil / EBC

A Casa Branca colocou no ar um site oficial que apresenta a versão do ex-presidente Donald Trump sobre a invasão ao Capitólio dos Estados Unidos, ocorrida em 6 de janeiro de 2021. A página, que também justifica o perdão presidencial concedido aos envolvidos na ação daquele dia, traz em sua abertura uma foto grande da ex-deputada democrata Nancy Pelosi, a quem o atual governo atribui a culpa pela manifestação.

O lançamento do site ocorre em meio a notícias relacionadas ao episódio, como a condenação do "xamã da QAnon" a mais de três anos de prisão e a decisão do Supremo dos Estados Unidos que concedeu imunidade parcial a Trump em processos ligados à invasão. A iniciativa representa um esforço do governo para reescrever a narrativa sobre um dos eventos mais conturbados da história política recente do país.

Em um trecho do texto publicado no site, a administração Trump afirma: "O presidente Trump tomou a decisão de perdoar os manifestantes do dia 6 de janeiro que foram injustamente transformados em alvo, processados e usados como exemplos políticos. Eles não foram protegidos pelos líderes, que falharam. Eles foram punidos para encobrir incompetência". A declaração reforça a posição do ex-presidente de que os participantes do protesto foram vítimas de perseguição política.

O conteúdo ataca frontalmente Nancy Pelosi, que era presidente da Câmara dos Representantes na época dos eventos. O texto acusa a democrata de "fabricar uma insurreição narrativa e colocar a culpa no presidente Trump". Segundo a versão apresentada no site, "os democratas, espertamente, reverteram a realidade depois do 6 de janeiro, transformando pacíficos manifestantes patrióticos em 'insurreicionistas' e classificando o evento como um golpe violento orquestrado por Trump – apesar de não haver evidência de rebelião armada ou intenção de derrubar o governo".

Em outro trecho controverso, o texto também afirma que a eleição presidencial de 2020, vencida por Joe Biden, foi fraudada. Essa alegação, repetidamente desmentida por autoridades eleitorais e tribunais em todo o país, continua sendo um ponto central da retórica de Trump e seus apoiadores.

O site inclui uma linha do tempo que começa com Trump convocando os americanos a irem à capital Washington no dia 6 de janeiro, seguido por seu discurso naquele dia. Na sequência, descreve os "patriotas" marchando em direção ao Capitólio e mostra o então presidente derrotado nas eleições pedindo calma aos manifestantes. Essa cronologia omite vários aspectos da invasão real que foram amplamente documentados por vídeos e testemunhas.

A invasão real do Capitólio

No dia 6 de janeiro de 2021, após um discurso de Donald Trump em que questionava os resultados das eleições americanas, milhares de manifestantes foram até o Capitólio, onde funciona o Congresso norte-americano, para protestar contra a certificação de Joe Biden como o novo presidente. O que começou como um protesto rapidamente se transformou em uma invasão violenta do prédio do Congresso.

Diante da invasão, a polícia do Capitólio e a Guarda Nacional precisaram intervir para proteger os legisladores que estavam no interior do prédio. Houve confrontos violentos entre manifestantes e as forças de segurança. O saldo trágico incluiu cinco mortes, entre elas a de um policial do Capitólio, e centenas de feridos entre manifestantes e agentes da lei.

Vários manifestantes apoiadores do então presidente foram presos, julgados e condenados por crimes que variaram de invasão de propriedade federal a agressão a agentes da lei. Quando Donald Trump voltou ao poder em 2025, uma de suas primeiras ações foi conceder perdão aos manifestantes envolvidos no episódio, uma medida que dividiu profundamente a opinião pública americana.

O lançamento do site pela Casa Branca representa mais um capítulo na batalha pela memória histórica do evento. Enquanto investigações criminais continuam e centenas de participantes já foram condenados, a administração Trump busca consolidar uma narrativa alternativa que minimize a gravidade dos acontecimentos e transfira a responsabilidade para seus adversários políticos.


Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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