Brasil manifesta preocupação com protestos e repressão no Irã

Governo defende soberania iraniana e diálogo pacífico, enquanto tensões internacionais afetam relações comerciais

Publicado em 13/jan/26 | 19:02
Brasil manifesta preocupação com protestos e repressão no Irã
Fonte: Agência Brasil / EBC

O governo brasileiro divulgou nesta terça-feira (13) uma nota oficial em que expressa preocupação com as manifestações e a violenta repressão no Irã. Os protestos, que começaram em 28 de dezembro como resposta ao aumento do custo de vida, rapidamente se transformaram em um movimento de contestação ao regime clerical que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979.

A crise econômica é um dos principais combustíveis dos protestos. A moeda rial do Irã perdeu quase metade de seu valor em relação ao dólar em 2025, enquanto a inflação atingiu 42,5% em dezembro. Essa situação se agrava em um contexto de sanções internacionais, principalmente dos Estados Unidos, e de ameaças de ataques israelenses.

Em resposta aos protestos, que já se espalharam por todo o país, as autoridades iranianas têm reagido com força letal. Segundo organizações não-governamentais, há registro de pelo menos 600 mortes. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, em seu comunicado, lamenta essas mortes e defende o direito dos iranianos de decidir soberanamente os rumos de sua nação.

"Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo", afirma a nota oficial. O governo brasileiro também informou que, até o momento, não há registro de cidadãos brasileiros entre os mortos ou feridos, e que a embaixada em Teerã está prestando assistência à comunidade brasileira no Irã.

Do lado iraniano, as autoridades acusam os Estados Unidos e Israel de fomentar os protestos, chegando a ameaçar atacar bases norte-americanas. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que protestos pacíficos são tolerados, mas classificou os distúrbios recentes como ações de "terroristas do estrangeiro", argumentando que seriam uma justificativa para uma eventual invasão por parte dos EUA e de Israel.

As tensões internacionais em torno do Irã têm reflexos diretos nas relações comerciais do Brasil. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor uma tarifa de 25% sobre "qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã". Se essa medida for implementada, o Brasil pode ser significativamente afetado, especialmente no agronegócio, setor que mais se beneficia do comércio com Teerã.

Em 2025, o Brasil movimentou quase US$ 3 bilhões em comércio com o Irã, embora o país persa represente apenas 0,84% das exportações brasileiras. O governo federal aguarda a publicação da ordem executiva americana para se posicionar formalmente sobre a possível tarifa, mas o anúncio de Trump já acendeu um alerta sobre os impactos econômicos que podem surgir.

Enquanto isso, a posição do Brasil continua focada na defesa da soberania e no apelo ao diálogo, tentando equilibrar suas relações diplomáticas com os interesses comerciais em um cenário geopolítico cada vez mais complexo.


Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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