Ministério lança campanha contra racismo no carnaval
Ação educativa combate injúria racial e fantasias estereotipadas durante a folia
Publicado em 13/jan/26 | 21:01
O Ministério da Igualdade Racial (MIR) lançou nesta segunda-feira (12), no Rio de Janeiro, uma campanha nacional para destacar a contribuição da cultura negra no carnaval e combater discriminações e violências. Com o nome "Sem racismo o carnaval brilha mais", a iniciativa distribuirá adesivos e leques educativos durante os festejos, alertando que ofensas baseadas na cor da pele configuram injúria racial e que fantasias estereotipadas não combinam com a folia.
"Não cabem mais fantasias depreciativas sobre a cultura negra, religiões afro, personagens negras, muito menos mulheres negras. Isso não dá mais", afirmou à Agência Brasil o secretário de Combate ao Racismo do ministério, Tiago Santana. "Não é esse tipo de cultura de carnaval que o brasileiro quer", completou. A campanha enfrenta agressões diretas, mas também lembra que temas e a estética negra, como o cabelo, não são "peça de chacota".
O material educativo será divulgado entre o próximo sábado (17) e os últimos dias de festa, incentivando vítimas a registrarem denúncias pelo Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, ou pela Ouvidoria do MIR, no e-mail ouvidoria@igualdaderacial.gov.br. Ambos os órgãos podem dar suporte e ajudar a formalizar queixas em delegacias.
"A prática, o ato de você denunciar, de criar condições para que [a discriminação] não aconteça e, uma vez acontecendo, criar medidas para que haja algum tipo de punição é o pilar fundamental de sustentação da Política Nacional de Igualdade Racial", explicou Santana.
Como diferencial desta edição, no Rio de Janeiro, o MIR firmou parceria com a Liga RJ, entidade que organiza os desfiles das escolas de samba do grupo de acesso, a Série Ouro. A entidade distribuirá o material em ensaios técnicos e apresentações na Sapucaí. No dia 13 de fevereiro, início da competição, o ministério desfilará com uma faixa, distribuindo peças ao lado de ativistas e lideranças das escolas.
"Sinalizaremos para aqueles eventuais racistas que eles não são invisíveis e que faremos pressão para que, caso cometam algum ato criminoso, prestem contas e sejam punidos", frisou Santana. O secretário também busca dar visibilidade à construção do carnaval por pessoas negras, que fundaram as primeiras escolas.
"Acontece hoje um processo de embranquecimento, de apagamento da presença negra no carnaval. Então, quando a gente combate o racismo, também enfrentamos essa desestruturação interna", destacou. Nos últimos anos, o fato de boa parte do corpo de jurados dos desfiles cariocas ser branca levantou debates sobre essa questão.
Em nota, a ministra Anielle Franco reforçou que a festa é momento de diversão e respeito. "Lançamos essa campanha para cuidar e respeitar as mãos negras de quem faz acontecer e também se diverte no maior espetáculo da terra", ressaltou. "O carnaval é cultura, arte, resistência e resiliência", completou, sobre a campanha que ampliou sua presença no país.
A ação terá como palco o carnaval de rua, bailes, blocos, desfiles de escolas de samba e a própria Sapucaí, no Rio de Janeiro. Medidas também estão programadas na Bahia e nos 30 municípios que aderiram ao Programa Juventude Negra Viva. Em 2026, o MIR pretende expandir a campanha, que circulou em mídias digitais em 2025.
A pasta espera que outras instituições adiram ao esforço e façam circular o material, tanto em eventos de carnaval quanto na mídia e redes sociais, ampliando o alcance da mensagem de combate ao racismo durante a maior festa popular do Brasil.