O comércio varejista brasileiro deu um passo importante para consolidar a recuperação econômica em janeiro de 2026. Segundo dados divulgados nesta quarta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas no setor cresceu 0,4% na passagem de dezembro para janeiro, revertendo a queda de 0,4% registrada no último mês de 2025. Com esse resultado, o varejo alcançou o maior patamar da série histórica, iniciada no ano 2000, igualando o recorde de novembro de 2025.
Na comparação com janeiro do ano passado, o salto é ainda mais expressivo: 2,8%. Em 12 meses, o setor acumula expansão de 1,6%. Os números fazem parte da Pesquisa Mensal de Comércio, realizada pelo IBGE no Rio de Janeiro, e refletem um cenário de otimismo cauteloso entre empresários e consumidores.
Renovação do pico é destaque
Cristiano Santos, gerente da pesquisa no IBGE, destacou a importância de alcançar novamente o ponto mais alto da série. "Renovações do pico não são tão comuns assim", afirmou ele, ressaltando que o resultado indica uma trajetória positiva, apesar dos desafios econômicos. A média móvel trimestral, que mostra a tendência de comportamento do comércio nos últimos meses, reflete alta de 0,3% na comparação com os três meses terminados em dezembro de 2025.
Desempenho por segmentos: farmácias em alta, eletrônicos em queda
Dos oito segmentos pesquisados pelo IBGE, quatro apresentaram crescimento do volume de vendas na passagem de dezembro para janeiro. O destaque positivo ficou com a atividade farmacêutica, que inclui artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com alta de 2,6%. Segundo Cristiano Santos, esse segmento tem apresentado crescimento constante desde julho de 2025, com exceção apenas de dezembro, impulsionado por produtos de higiene pessoal e beleza.
Outros setores que registraram aumento foram: tecidos, vestuário e calçados (1,8%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,3%) e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,4%). Móveis e eletrodomésticos ficaram estáveis, sem variação.
No extremo oposto, o desempenho mais fraco em janeiro foi o de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que sofreu uma queda expressiva de 9,3%. Cristiano Santos explicou que esse tombo está relacionado ao comportamento do dólar. "Esse setor é especialmente afetado pela variação do dólar e em épocas de alta volatilidade, as empresas aproveitam para repor estoques em momentos de valorização do real para depois decidir o melhor momento de fazer promoções", disse ele, acrescentando que o segmento vinha de vendas fortes durante a Black Friday (novembro) e Natal.
Outros setores em queda foram: livros, jornais, revistas e papelaria (-1,8%) e combustíveis e lubrificantes (-1,3%).
Comércio varejista ampliado também avança
O comércio varejista ampliado, que inclui atividades de atacado ─ veículos, motos, partes e peças; material de construção; e produtos alimentícios, bebidas e fumo ─ também apresentou crescimento em janeiro. O indicador cresceu 0,9% na passagem de dezembro para janeiro, marcando o décimo mês seguido de alta nessa comparação entre meses imediatamente seguidos. No entanto, em 12 meses, o comércio varejista ampliado tem variação nula (0%), indicando que a recuperação ainda é desigual.
Os dados reforçam a importância do setor varejista para a economia brasileira, que vem mostrando sinais de resiliência diante de um cenário global desafiador. Com o recorde de vendas, espera-se que o otimismo se traduza em mais investimentos e geração de empregos nos próximos meses.

