O Laboratório de Planejamento Urbano e Regional (GeoCidades) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) começa 2026 com um novo projeto que promete impactar diretamente a vida de moradores de quatro municípios paranaenses. Professores e alunos iniciaram a revisão do plano diretor participativo de Imbaú, cidade localizada a 106 km de Ponta Grossa, dando o pontapé inicial em uma iniciativa que também abrange Adrianópolis, Reserva e São João do Triunfo.

A primeira reunião com os moradores de Imbaú aconteceu em 19 de dezembro, marcando o início de um processo que tem previsão de conclusão para janeiro de 2027. Neste mês, a equipe dá início às próximas fases do projeto, que contam com participação ativa da população em todas as etapas.

A iniciativa é do Governo do Paraná, por meio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), que coordena o Projetek Mais Cidades, projeto ao qual o GeoCidades está ligado. O objetivo é consolidar um modelo de apoio ao planejamento urbano que possa ser replicado em outras localidades. Na UEPG, o GeoCidades também é vinculado ao Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (Proext-PG).

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Planejamento como ferramenta de desenvolvimento

O coordenador do projeto na instituição, professor Márcio Ornat, destaca a importância fundamental dos planos diretores para o desenvolvimento das cidades. "Um plano diretor é o instrumento básico da política e do desenvolvimento urbano de qualquer cidade", explica o professor. "Com esse trabalho, esperamos desenvolver caminhos para o desenvolvimento econômico, político e social dos municípios com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), para que possamos estabelecer diretrizes para um município inteligente e sustentável nos próximos 10 anos".

Ornat complementa que o laboratório funciona numa lógica de escritório-laboratório, com alunos de diversas áreas atuando de forma integrada. "A extensão é o meio pelo qual o ensino e a pesquisa acontecem", afirma, destacando o caráter prático da iniciativa.

Metodologia participativa

A reunião em Imbaú foi a segunda agenda que faz parte do projeto. Em outubro do ano passado, a equipe realizou a mesma atividade em Adrianópolis. A previsão é que os municípios de Reserva e São João do Triunfo recebam a primeira audiência pública ainda no início deste ano.

Após a aprovação da metodologia, tema da primeira reunião, o grupo parte para a análise temática integrada. Nessa fase, é elaborada a cartografia do município em aspectos econômicos, sociais e ambientais, além da realização das leituras comunitárias, que identificam desafios, problemas e potencialidades da região.

"Entendemos que a participação popular é condição obrigatória nessas reuniões, é uma questão de princípios, pois só assim conseguimos construir planos diretores que atendam à população", enfatiza Ornat. A assinatura do termo de cooperação técnica entre a universidade e o município aconteceu em setembro de 2025, formalizando a parceria.

Recepção positiva nas cidades

O vice-prefeito de Imbaú, Davi Antunes, ressalta que a parceria com a UEPG é muito bem-vinda na cidade. "Tenho certeza de que a audiência pública é importante para o bom andamento do nosso município e sei que a população terá ótimas ideias para conduzir os encontros", diz o vice-prefeito, demonstrando otimismo com os resultados do projeto.

Formação de novos profissionais

Além de colaborar para a melhoria do desenvolvimento de municípios, o projeto cumpre um importante papel na formação de pesquisadores com experiência na extensão universitária. É o caso de Judite Bueno de Camargo, egressa do Bacharelado em Geografia, que hoje é mestranda em gestão do território pela UEPG e atua como consultora técnica do GeoCidades.

"Enquanto estudante e hoje profissional, foi muito importante aprender durante o processo. Eu atuo no projeto desde 2023, e vejo que foi essencial para que eu pudesse aplicar meus conhecimentos com autoridade, conciliando a teoria com a prática", relata Judite, exemplificando como a iniciativa beneficia tanto as comunidades atendidas quanto a formação acadêmica.

O projeto representa um esforço conjunto entre governo estadual, universidade e municípios para promover um planejamento urbano mais democrático e eficiente, com potencial para transformar a realidade de cidades paranaenses nos próximos anos.