O agronegócio do Paraná vive um momento de otimismo, com a soja mais uma vez roubando a cena no Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. As projeções indicam que a safra 2025/2026 pode chegar muito perto do recorde histórico, reforçando o papel do estado como um dos maiores produtores do país.

As condições das lavouras são o principal motivo para essa confiança. A reavaliação recente mostra que 90% das áreas estão em boas condições, um índice superior ao da semana anterior e melhor do que o observado nas últimas oito safras. Com esse cenário, a produção paranaense pode alcançar cerca de 22 milhões de toneladas, volume que se aproxima do recorde estadual de 22,3 milhões de toneladas obtido no ciclo 2022/2023.

As primeiras colheitas, concentradas principalmente no Oeste do estado, já apresentam bons indicativos de produtividade, embora ainda representem uma parcela pequena da área total semeada. No entanto, o Deral faz um alerta importante: a maior parte das lavouras ainda precisa passar por fases críticas de desenvolvimento, o que exige cautela dos produtores.

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No mercado, os preços da soja seguem pressionados. A estabilidade das cotações internacionais e a valorização do real mantêm a saca em patamares semelhantes aos do início de 2025. Mesmo com a produção em alta, os ganhos com a comercialização dependem desses fatores externos.

O boletim também traz um retrato do mercado de trabalho no agronegócio, com destaque para a absorção de mão de obra estrangeira. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) mostram que, ao final de 2024, trabalhadores imigrantes ocupavam 15,6% dos empregos formais em frigoríficos de abate de suínos no Brasil. No Paraná, essa participação chegou a 8,4%, com predominância de haitianos, venezuelanos e paraguaios.

No segmento de criação de suínos, a presença de estrangeiros é menor, mas o estado lidera nacionalmente as contratações, especialmente de trabalhadores paraguaios. O levantamento reforça a importância social e econômica da suinocultura, que se tornou uma porta de entrada para imigrantes no mercado formal de trabalho.

A fruticultura brasileira também aparece com números expressivos no relatório. As exportações do setor superaram 1,3 milhão de toneladas em 2025, com crescimento de quase 20% no volume embarcado em relação a 2024. A receita alcançou US$ 1,56 bilhão, um avanço de 12,8% na comparação anual.

Mesmo com uma redução de 5,7% no preço médio da tonelada, os números confirmam o fortalecimento das frutas brasileiras no mercado internacional. O setor superou a marca de um bilhão de dólares em vendas e consolidou sua presença no comércio global, mostrando que a diversificação do agronegócio é uma estratégia que vem dando certo.

Com a soja caminhando para um desempenho histórico e outros setores, como a suinocultura e a fruticultura, mostrando vigor, o agronegócio paranaense se consolida como um pilar da economia, gerando riqueza e oportunidades de trabalho para brasileiros e imigrantes.