O mais recente mapa do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas (ANA), divulgado neste mês, revela um cenário climático dividido no Paraná. Enquanto as chuvas abundantes no norte e noroeste do estado trouxeram alívio, reduzindo os níveis de seca, o sul e sudoeste paranaenses viram o fenômeno avançar devido à estiagem.
O estudo, realizado em parceria com diversos institutos de pesquisa em todo o Brasil e coordenado nos últimos 30 dias pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), mostra como os padrões de chuva têm sido decisivos para a configuração atual. "Nestas regiões, nos últimos meses, as chuvas foram irregulares e ficaram abaixo da média histórica, contribuindo para o retorno da seca", explica Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar.
O monitoramento detalhado revela que, das 44 estações meteorológicas do Simepar com mais de seis anos de operação, 19 registraram volume de chuva abaixo da média em dezembro. Essas estações estão concentradas principalmente no extremo sul e sudoeste do estado, áreas que fazem divisa com Santa Catarina e onde a seca fraca avançou significativamente.
Por outro lado, outras 25 estações registraram chuva acima da média em dezembro, com destaque impressionante para Guaíra, no noroeste paranaense. A cidade atingiu 517,2 mm de chuva acumulada no mês, contra uma média histórica de apenas 175,1 mm. Não se via um volume tão expressivo desde dezembro de 2020, quando foram registrados 532,2 mm. Cambará, também no norte do estado, registrou 407,2 mm, o maior volume desde a instalação da estação meteorológica em julho de 1997.
"Chuvas acima da média histórica no Centro Norte e principalmente no Noroeste do Estado no final do ano passado, ainda durante a primavera, favoreceram a redução da seca fraca, então praticamente todo o Noroeste está sem seca relativa, enquanto que no Norte e Norte Pioneiro houve o recuo de pelo menos uma categoria", ressalta Reinaldo.
No norte do Paraná, a seca passou de moderada para fraca. Em cidades como Jacarezinho e Cambará, houve recuo da seca grave para moderada. O norte dos Campos Gerais e a parte norte do Litoral, assim como o Norte Pioneiro, seguem com seca moderada. No resto da faixa Leste, incluindo a Região Metropolitana de Curitiba, permanece o registro de seca fraca.
O cenário nacional apresentado pelo Monitor de Secas mostra que nenhuma região brasileira registra, no momento, seca excepcional. A única região que ainda apresentou seca extrema no mapa de dezembro foi o Nordeste, atingindo parte dos estados da Bahia, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba.
Há registro de seca moderada em praticamente todo o Sudeste, parte do Centro-Oeste do Brasil, assim como no Tocantins. Nos outros estados do Norte há poucos registros de seca fraca. O Rio Grande do Sul é o único estado sem qualquer registro de seca nesta atualização do Monitor de Secas.
O Monitor de Secas iniciou em 2014 focado no semiárido, que sofria desde 2012 com a seca mais grave dos últimos 100 anos. Desde 2017 a ANA articula o projeto entre as instituições envolvidas e coordena o processo de elaboração dos mapas. O Simepar, todos os meses, faz a análise das regiões Sul e Sudeste, utilizando dados como precipitação, temperatura do ar, índice de vegetação, níveis dos reservatórios e dados de evapotranspiração. A cada três meses, o Simepar ainda coordena a elaboração do mapa completo - como foi o caso do mapa de dezembro.

