A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira a Operação Intolerans, que investiga uma série de ataques cibernéticos contra sites de deputados federais que se posicionaram a favor de um projeto de lei que equipara o aborto a homicídio. As buscas e apreensões estão sendo realizadas simultaneamente nas cidades de São Paulo e Curitiba, com o objetivo de identificar e responsabilizar os envolvidos na ação criminosa.
Segundo as investigações da PF, vários parlamentares tiveram seus sites oficiais e plataformas digitais invadidos e alvos de ataques hackers após manifestarem apoio ao projeto. A operação busca desvendar a autoria e a motivação por trás dos crimes, que configuram violação de sistemas informatizados e podem ter caráter de intimidação política. Até o momento, a PF não divulgou os nomes dos deputados afetados, mantendo sigilo sobre as vítimas para não comprometer as diligências.
A ação conta com o apoio de entidades estrangeiras, que auxiliam no rastreamento de possíveis conexões internacionais dos ataques. A cooperação internacional é comum em investigações de cibercrimes, dada a natureza transnacional dessas atividades. A PF reforça que a operação segue todos os trâmites legais, com mandados judiciais expedidos pela Justiça Federal.
Esta não é a única operação da PF em andamento. Recentemente, a polícia deflagrou ações para investigar obras financiadas com emendas parlamentares e desarticulou uma quadrilha que vendia canetas emagrecedoras clandestinas. A Operação Intolerans, no entanto, chama a atenção por focar em crimes digitais com potencial impacto na democracia, ao visar representantes eleitos.
Especialistas em segurança cibernética alertam que ataques a sites de políticos têm se tornado mais frequentes no Brasil, muitas vezes com o intuito de silenciar vozes ou perturbar o debate público. A PF ressalta que a investigação segue em andamento e que novos desdobramentos podem ocorrer nas próximas horas, dependendo dos resultados das buscas.

