Com o aumento do volume de chuvas e os frequentes episódios de alagamentos que atingem diversas regiões, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) emitiu um alerta importante para a população sobre os riscos de doenças associadas às enchentes, com destaque especial para a leptospirose. A infecção, causada por bactérias do gênero Leptospira, está diretamente relacionada ao contato com água ou lama contaminadas pela urina de roedores, situação comum durante inundações.
Em áreas urbanas, ratos e outros animais podem eliminar a bactéria no ambiente. Durante as enchentes, essa urina se mistura à água acumulada nas ruas e pode entrar em contato com a pele ou mucosas das pessoas. Pequenas fissuras ou ferimentos na pele facilitam ainda mais a penetração da bactéria no organismo, aumentando o risco de contaminação.
Os números preocupam: em 2025, o Estado de São Paulo registrou 421 casos de leptospirose. Já em 2026, até o dia 4 de fevereiro, foram confirmados cinco novos casos da doença, reforçando a necessidade de atenção redobrada durante o período chuvoso.
De acordo com Juvêncio Furtado, médico infectologista do Hospital Heliópolis, as manifestações clínicas da leptospirose podem variar bastante. “O paciente pode estar assintomático ou apresentar um quadro inicial com dor de cabeça, dor no corpo, mal-estar e febre. A dor muscular costuma se concentrar principalmente nas panturrilhas e no abdome”, explica o especialista.
O período de incubação, que é o tempo entre o contato com a bactéria e o surgimento dos sintomas, é em média de 15 dias, podendo chegar a 30 dias após a exposição à água contaminada. Essa janela prolongada muitas vezes dificulta a associação imediata dos sintomas com o contato prévio com enchentes.
A forma mais grave da doença é conhecida como síndrome de Weil, caracterizada por icterícia, quando há coloração amarelada da pele e dos olhos. “Esse quadro pode evoluir com sangramentos, inclusive pulmonares. Nesses casos, o tratamento envolve antibióticos e, em situações mais severas, diálise para eliminar as toxinas produzidas pela bactéria”, destaca o médico.
A orientação das autoridades de saúde é procurar atendimento médico diante de sintomas como febre alta, dor intensa nas panturrilhas, olhos avermelhados ou sinais de icterícia, especialmente se houver histórico recente de contato com água de enchente. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações.
Para prevenir a contaminação, a Secretaria de Saúde recomenda algumas medidas práticas: utilizar luvas, botas impermeáveis e óculos de proteção ao ter contato com água ou lama contaminadas; cobrir cortes e arranhões com curativos impermeáveis; evitar andar descalço em áreas alagadas; descartar alimentos e objetos que tiveram contato com a água contaminada; e controlar a presença de roedores, mantendo o lixo acondicionado corretamente e evitando acúmulo de entulhos.
A SES-SP reforça que, diante de qualquer suspeita após exposição a enchentes, a população deve procurar uma unidade de saúde mais próxima de sua residência para avaliação clínica e início imediato do tratamento. A conscientização e os cuidados preventivos são as melhores armas contra essa doença que se aproveita dos períodos de chuva intensa para se espalhar.

