Conhecida há mais de um século, a doença de Chagas continua sendo um desafio importante para a saúde pública no Brasil. Neste 14 de abril, data que marca o Dia Mundial da Doença de Chagas, especialistas reforçam a necessidade de ampliar a conscientização sobre essa enfermidade que pode permanecer silenciosa por anos antes de manifestar seus sintomas mais graves, podendo inclusive levar à morte.
A doença é causada pelo parasita Trypanosoma cruzi e apresenta diferentes formas de transmissão. A principal delas é a vetorial, por meio do inseto popularmente conhecido como bicho barbeiro. Mas não é só por essa via que a contaminação ocorre. Há também risco pelo consumo de alimentos contaminados, como caldo de cana e açaí, além de transfusão de sangue, transplante de órgãos e transmissão de mãe para filho durante a gestação.
O quadro clínico da doença se desenvolve em duas fases distintas. Na fase aguda, logo após a infecção, podem surgir sintomas como febre, cansaço e inchaço no local da picada ou na região dos olhos. O segundo momento, de maior risco, ocorre anos após a infecção inicial, quando o problema se torna crônico. Muitos pacientes permanecem na chamada "forma indeterminada", sem qualquer sinal aparente da infecção, enquanto o parasita compromete silenciosamente o organismo.
Segundo a cardiologista Daniela Nogueira Noronha Baffi, do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), que atua no Centro de Atendimento Médico-Ambulatorial (Ceama) de São José do Rio Preto, "nos casos cardíacos, pode ser necessário o uso de medicamentos específicos, implante de marca-passo ou desfibrilador. Também podem ser indicadas cirurgias no esôfago ou no intestino, dependendo do órgão acometido".
Na fase crônica sintomática, a doença de Chagas pode causar problemas sérios no coração e no sistema digestivo. São alterações possíveis o surgimento de arritmia e insuficiência cardíaca, com aumento importante do tamanho do coração, bem como do intestino e do esôfago, causando dificuldade para respirar, evacuar ou engolir, respectivamente.
O diagnóstico é realizado por meio de exames de sangue, e o tratamento pode envolver desde medicamentos específicos até procedimentos mais complexos como cirurgias e implante de desfibrilador e marca-passo cardíaco. A identificação precoce é fundamental para evitar complicações graves.
A doença é mais frequente em áreas rurais e suburbanas, onde há maior presença do inseto transmissor. O barbeiro costuma se esconder em frestas de paredes, telhados, galinheiros e plantações, como cana-de-açúcar e açaí. Por isso, os casos são mais comuns no interior do país.
Entre as principais medidas de prevenção estão a melhoria das condições de moradia, uso de inseticidas quando indicado, instalação de telas de proteção, limpeza frequente dos ambientes e atenção à procedência dos alimentos consumidos. Especialistas reforçam que o acompanhamento médico regular e a identificação precoce são essenciais para evitar as complicações mais graves dessa doença que ainda representa um risco silencioso para muitos brasileiros.

