A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou para baixo a estimativa de crescimento da economia brasileira em 2023. A previsão, que estava em 2,4%, foi ajustada para 2,3%, conforme divulgado no Boletim Macrofiscal desta sexta-feira (6). O documento também traz uma projeção otimista para a inflação, que deve fechar o ano em 3,6%, abaixo do acumulado de 4,26% registrado em 2022.
Segundo a SPE, a redução na expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todas as riquezas produzidas no país – reflete principalmente a desaceleração acentuada na atividade agropecuária, após a safra recorde do ano passado. No entanto, esse movimento é compensado por uma maior expansão nos setores de indústria e serviços. "A absorção doméstica tende a acelerar, ainda que parcialmente compensada por menor contribuição das exportações em um ambiente comercial global mais restritivo", explica o boletim.
Em relação à inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a expectativa é de que os preços continuem sob controle. "Para 2026, a expectativa é de estabilidade no ritmo de crescimento e de continuidade da desinflação, possibilitando redução nos juros básicos", afirma a secretaria. A SPE destaca que os preços ainda se beneficiam do excesso de oferta global de bens e combustíveis, além dos efeitos defasados do enfraquecimento recente do dólar e da política monetária restritiva. Pressões moderadas nos preços de alimentos, no entanto, são esperadas.
O cenário de desaceleração da inflação abre espaço para a tão aguardada redução da taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Este é o maior patamar desde julho de 2006, quando a taxa estava em 15,25% ao ano. Em comunicado recente, o Copom confirmou que deve iniciar o ciclo de cortes na reunião de março, desde que a inflação se mantenha sob controle e não haja surpresas no cenário econômico.
A SPE também alerta para os riscos que podem impactar a economia em 2023. "Entre os principais riscos para o cenário de 2026 destacam-se a intensificação das tensões geopolíticas e comerciais, além de uma desaceleração mais pronunciada da economia chinesa", pontua o documento. O boletim menciona ainda que um eventual agravamento das tensões geopolíticas observadas no início do ano – como a instabilidade política na Venezuela e o aumento das fricções entre Estados Unidos e Europa em torno da Groenlândia – pode intensificar o enfraquecimento do dólar e ampliar a volatilidade financeira internacional.
Enquanto o governo ajusta suas projeções, outros indicadores recentes mostram um cenário misto para a economia. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou que o faturamento do setor industrial ficou estagnado em 2025. Além disso, a poupança registrou uma retirada líquida de R$ 23,5 bilhões apenas em janeiro, refletindo o aperto no orçamento das famílias diante dos juros elevados.
O Banco Central tem na Selic seu principal instrumento para alcançar a meta de inflação, que é de 3% ao ano. A expectativa de queda nos juros a partir de março, portanto, está diretamente ligada ao comportamento dos preços nos próximos meses. Se confirmada, a redução pode aliviar o custo do crédito para empresas e consumidores, estimulando a retomada do crescimento de forma mais sustentável.

