O verão no litoral do Paraná está mais seguro graças a uma combinação de tecnologia e estratégia. Pelo segundo ano consecutivo, o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) tem utilizado drones de alta tecnologia como um dos pilares da operação Verão Maior Paraná, resultando em uma redução significativa no número de resgates por afogamento. A integração desses equipamentos com o reforço de efetivo e ações preventivas mostra resultados concretos: entre 19 de dezembro de 2024 e 14 de janeiro de 2025, foram 728 resgates, contra 783 no mesmo período da temporada anterior – uma queda de mais de 6%.

Os números comprovam a eficácia da estratégia. Embora o tenente-coronel Fabrício Frazatto, comandante do 8º Batalhão de Bombeiro Militar do Litoral, ressalte que os drones não são o único fator, ele atribui ao equipamento um papel crucial na prevenção. "Na atividade de salvamento aquático, os drones atuam de forma antecipada, orientando as pessoas sobre locais adequados para banho e evitando que entrem em áreas de risco", afirmou o oficial. Até esta quinta-feira (15), já foram realizados 170 sobrevoos, somando 205 horas de vigilância aérea.

A atuação dos drones tem sido especialmente valiosa nos horários mais críticos, quando os postos de guarda-vidas não estão em funcionamento. "Nós tínhamos uma incidência significativa de afogamentos fora do horário de funcionamento dos postos de guarda-vidas, que vai das 8h às 19h. Desde a temporada passada, os drones passaram a ser utilizados a partir das 7h e após o fechamento dos postos, até as 20h, o que resultou em uma redução importante de incidentes nesses períodos", explicou Frazatto.

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Os equipamentos utilizados são dos mais modernos do país. Eles contam com câmeras de alta resolução, câmeras térmicas, sistemas de zoom, holofotes de iluminação, alto-falantes e transmissão em tempo real. Essa tecnologia permite não apenas monitorar as praias, mas também intervir diretamente. "Os drones possuem câmeras termais, sistema de iluminação e megafones. Isso nos permite orientar as pessoas durante a noite, iluminar áreas de risco e transmitir mensagens de segurança", detalhou o comandante.

Atualmente, oito operadores de drones atuam diariamente no litoral, com apoio também nas praias de água doce das regiões Oeste e Noroeste do estado. O soldado Christopher Uada, um dos operadores, descreve o trabalho como essencialmente preventivo. "Com o drone, a gente consegue um visual de cima, que facilita identificar, por exemplo, as correntes de retorno. A partir disso, a gente vai até esses pontos e orienta os banhistas para saírem dali", relatou. A maioria dos banhistas, segundo ele, respeita as instruções e busca áreas mais seguras.

O treinamento dos operadores é especializado e extenso. Diferentemente de outros estados, o Paraná oferece um curso de pilotagem totalmente adaptado às necessidades do Corpo de Bombeiros, com duração de aproximadamente três semanas. O curso é obrigatório e aborda desde a legislação brasileira até técnicas operacionais e métodos de busca. Esse módulo também integra o curso de formação da Escola Superior de Bombeiro Militar (ESBM), garantindo que novos profissionais já saiam capacitados.

O futuro promete ainda mais inovações. Equipamentos de maior porte estão em fase de testes para, no futuro, possibilitar o lançamento de boias de salvamento. "Estamos em um caminho inicial de utilização dessas tecnologias, mas com grandes possibilidades futuras, inclusive com apoio de Inteligência Artificial. Tudo isso para potencializar ainda mais a prevenção e reduzir as mortes por afogamento", completou o tenente-coronel Frazatto. Enquanto isso, a integração entre tecnologia aérea e a presença humana nas praias segue salvando vidas no litoral paranaense.