A influência da literatura de Jorge Amado e das obras de Carybé foi tão marcante para o artista plástico italiano Maurizio Ferri que redirecionou completamente sua produção artística. O universo sugerido por esses mestres brasileiros o levou a desenvolver pinturas que celebram a cultura do país, com representações do povo, da música, da culinária, dos povos originários e dos festejos típicos. Essa jornada artística agora está aberta ao público na exposição Brasilidades, em cartaz desde quinta-feira (26) no Palácio Tiradentes, sede histórica da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), no centro da cidade.

Com entrada gratuita, a mostra reúne 26 obras em óleo sobre tela, de diferentes momentos da trajetória de Ferri, e fica disponível para visitação até o dia 13 de março. O artista, que nasceu em Monselice, na província italiana de Pádua, e estudou na Academia de Belas Artes de Veneza, contou em entrevista à Agência Brasil como se deu essa transformação. "Sempre acompanhei Jorge Amado e o mestre Carybé que conheci em Salvador e sempre me incentivou a pintar essa temática. Ele me inspirou e me incentivou. Depois, lendo os livros de Jorge Amado. Comecei na Itália nos anos 90", disse ele, em português com sotaque italiano.

Ferri, que antes admirava artistas como Paul Gauguin e Vincent van Gogh, viu sua pintura mudar radicalmente após mergulhar na obra de Amado. Ele chegou ao Brasil em 1999 e hoje divide seu tempo entre os dois países. "Fico um pouco no Brasil e na Itália e desde que estou morando aqui, já fiz várias exposições. Esta é a primeira vez que faço uma individual. É importante estar no Rio de Janeiro", afirmou. Empolgado com a oportunidade de exibir seu trabalho na cidade, ele destaca a temática escolhida: "Sou um italiano que ama o Brasil e posso mostrar a temática de um povo simples, o pescador, o canavial, o carnaval. O Brasil enfim".

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A diretora de Cultura da Alerj, Fernanda Figueiredo, explicou que a exposição tem o objetivo de atrair a população para conhecer não apenas a história do Legislativo, já apresentada em visitas guiadas diárias, mas também a do estado do Rio de Janeiro e do Brasil. "É abrir mesmo as portas do Palácio Tiradentes para que a população conheça a história do Legislativo e também tenha acesso à diversidade cultural do nosso estado e do país", disse. A escolha de Ferri se deu pela força de sua proposta, que dialoga com Jorge Amado – autor presente no acervo da biblioteca do palácio – e pela multiplicidade cultural representada em suas obras.

"A gente o escolheu por ter multiplicidade cultural, representada nas obras dele. São 26 quadros que ele apresenta ali que falam de culinária, de música, de vários elementos que fazem conexão com a diversidade que a gente tem", completou Fernanda. Ela ressaltou ainda que a gratuidade é um fator essencial para democratizar o acesso à cultura. "Ser gratuito é o nosso foco principal na cultura do Palácio Tiradentes, para que as pessoas possam vir e democratizar o seu acesso. A ideia é trazer outras exposições temporárias, como essa do Ferri, para que as pessoas tenham contato com outras formas de cultura".

A exposição marca ainda o início das comemorações do centenário do Palácio Tiradentes, que será celebrado no dia 6 de maio. "A ideia é trazer exposições como essa, além de música, teatro e outras ativações culturais para aproximar a população do Palácio Tiradentes, que completa 100 anos no dia 6 de maio", relatou a diretora. "A gente vai começar um calendário cultural específico para essa data, e a exposição do Ferri já começa abrindo esse calendário de um ano tão importante".

As visitas à exposição Brasilidades ocorrem de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h. O Palácio Tiradentes está localizado na Rua Primeiro de Março S/N, no centro do Rio. O acesso para cadeirantes é pela Rua Dom Manuel, s/nº. Para agendar uma visita guiada ao palácio, é necessário acessar o site da instituição.