A Polícia Federal (PF) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público Federal (MPF) deflagraram nesta quarta-feira (4) a Operação Desconexão, que visa combater uma organização criminosa acusada de interromper serviços de telecomunicações no município de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. A ação resultou na prisão preventiva de dois homens e no cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão em cinco cidades fluminenses.
Os mandados de prisão foram cumpridos em São Pedro da Aldeia e em Rio das Ostras, enquanto as buscas ocorreram em Cabo Frio (quatro), Rio de Janeiro (cinco), São Pedro da Aldeia (três), Araruama (dois) e Rio das Ostras (dois). As diligências contaram com o apoio do Grupamento de Ações Táticas do 25º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro, atuando principalmente em Cabo Frio e São Pedro da Aldeia.
De acordo com a PF, as investigações apontam que a organização criminosa montou um esquema de monopólio ilegal na prestação de serviços de internet em Cabo Frio. "A localidade estaria sob controle territorial da facção, a qual restringe a atuação de provedores de internet e permite apenas o funcionamento da empresa autorizada pelo grupo criminoso", afirmou a corporação em nota oficial.
O inquérito revelou que os investigados mantinham o controle territorial através de violência e graves ameaças contra empresas concorrentes, garantindo assim o monopólio da prestação de serviços de banda larga. Entre as condutas identificadas estão a danificação de equipamentos, o corte de cabos, a intimidação de funcionários e o impedimento à instalação e manutenção regular dos serviços por outros provedores.
Além desses crimes, as investigações identificaram que a quadrilha "utilizava pessoas jurídicas interpostas com o objetivo de ocultar a real estrutura de controle e a titularidade dos ativos tecnológicos empregados na atividade ilícita". Essa prática permitia que o grupo criminoso mascarasse suas operações através de empresas de fachada, dificultando o rastreamento de suas atividades ilegais.
Os presos poderão responder por diversos crimes, incluindo furto qualificado; interrupção ou perturbação de serviço telegráfico, telefônico, informático, telemático ou de informação de utilidade pública; e organização criminosa. A PF ressaltou que outros delitos podem ser identificados conforme as investigações avançam.
A Operação Desconexão ocorre em um contexto de outras ações recentes da PF no estado do Rio de Janeiro, como a prisão de Daniel Vorcaro na terceira fase da Operação Compliance Zero, as buscas no gabinete de um magistrado que absolveu um estuprador, e a prisão de um bicheiro que foi descrita como "fruto da resiliência de forças policiais" pela própria PF.
O caso evidencia como organizações criminosas têm se diversificado em suas atividades ilícitas, expandindo do tráfico de drogas e jogos ilegais para o controle de serviços essenciais como telecomunicações. A atuação em Cabo Frio mostra uma faceta preocupante do crime organizado no Brasil: a tentativa de dominar territórios não apenas através da violência, mas também pelo controle de infraestrutura e serviços que afetam diretamente a população local.
As investigações continuam em andamento, e novas medidas podem ser tomadas conforme a PF e o MPF aprofundam as apurações sobre a extensão da organização criminosa e seus métodos de atuação na Região dos Lagos fluminense.

