O novo Mercado de Flores da Ceasa Curitiba está sendo construído com uma ambição que vai além da comercialização de plantas e produtos da agroindústria familiar. Com investimento de R$ 50 milhões do Governo do Paraná, o projeto de 4.845,1 metros quadrados, assinado pelo arquiteto Domingos Henrique Bongestabs - o mesmo que projetou a Ópera de Arame -, nasce com a missão de se tornar um ícone turístico no bairro Tatuquara e contribuir para o desenvolvimento econômico da região.
Arquitetura que dialoga com a memória urbana
O desenho do mercado combina transparência, luz e espaços de convivência, mas mantém um elo visual com a história do local. "Não será apenas um centro de vendas de produtos ligados a plantas, mas também uma área que vai impactar a paisagem urbana e incentivar a vinda de novos clientes e também atrair visitantes e turistas com a arquitetura e serviços que oferece", diz Bongestabs. Os arcos da fachada, por exemplo, não são apenas um recurso estético. "Hoje, na Ceasa, existe uma série de coberturas em arco feitas de tijolos, e eu coloquei arcos na fachada para, de certa forma, relacionar com esses arcos que já existem, uma ligação entre o que existe e o que vai existir".
A mesma lógica aparece no piso de pedra portuguesa, escolhido para fazer relação com a cidade. "Nós temos o uso de pedras portuguesas na cidade. É uma característica típica de Curitiba", afirma o arquiteto, ao justificar a intenção de ligar a obra à cidade e dar ao usuário a sensação de estar dentro do ritmo urbano da capital paranaense. O projeto preserva as características do lugar e dialoga com outros pontos turísticos já consolidados na memória popular, como o Jardim Botânico, a Ópera de Arame e a Rua 24 Horas.
Transparência e conforto térmico para as plantas e pessoas
A transparência do conjunto tem um motivo direto, ligado ao produto que estará em evidência. "Eu preciso de luz nas plantas. A luz é fundamental para a saúde dessas plantas e também para a visualização delas pelos clientes", explica Bongestabs. A solução, porém, não depende de um telhado totalmente translúcido. A cobertura será metálica, para reduzir o ganho de calor solar, enquanto a iluminação natural entra principalmente pelas laterais, com cerca de nove metros de altura, e por uma faixa mais estreita no alto.
Para equilibrar claridade e conforto térmico, o projeto aposta também em ventilação. As esquadrias laterais de vidro terão aberturas que podem ser mantidas abertas ou fechadas, de acordo com a necessidade de controle da temperatura interna. A cobertura, feita com telha metálica isolante de dupla face, foi dimensionada para resistir a granizo e ventos, de acordo com os cálculos estruturais.
Espaços planejados para convivência e trabalho
O projeto se organiza em dois blocos. Um reúne exposição e venda, eventos e praça de alimentação. O outro concentra serviços, como administração, área técnica para controle de água, esgoto e demais sistemas, além de espaços de apoio ao funcionamento do pavilhão. Ao redor, áreas externas tratadas como praça, com jardins, bancos e playground, reforçam a proposta de uso além da compra.
O mercado foi desenhado para facilitar a circulação de pessoas e mercadorias, com três circulações laterais e um desenho praticamente todo no mesmo nível. "A área em que estamos implantando o projeto é praticamente plana. Todo o projeto é plano", diz o arquiteto. Se houver pequenas diferenças, serão vencidas por rampas, com banheiros no mesmo nível e boxes acessíveis.
Transformando o Tatuquara e as condições de trabalho
O novo ponto turístico de Curitiba será implantado de frente para a BR-116, em uma área hoje usada como estacionamento. O projeto prevê que o Mercado de Flores terá acessos independentes para carga e descarga e para o público, o que tende a aliviar o fluxo interno da Ceasa. De acordo com o arquiteto, o potencial urbanístico do projeto está em ampliar o perfil de quem chega ao bairro Tatuquara, puxando novas demandas e, com o tempo, novos negócios.
"A experiência em outras áreas de Curitiba, como a Ópera de Arame e o Jardim Botânico, foram obras que valorizaram muito o bairro onde estão instaladas. Atraíram novos negócios. Então, a ideia é que isso se repita", diz Bongestabs. A aposta é que um equipamento com forte impacto visual e com serviços de convivência ajude a repetição desse movimento no entorno da Ceasa.
Além do impacto urbanístico, o novo mercado foi desenhado para mudar a rotina de quem trabalha na Ceasa, com um ambiente interno mais iluminado, ventilado e organizado. A estrutura prevê circulações amplas para o fluxo simultâneo de pessoas e mercadorias, além de pontos de apoio que costumam pesar no dia a dia, como banheiros adequados e áreas técnicas concentradas. "Vai melhorar muito as condições de trabalho deles, sem dúvida", afirma Domingos, citando avanços em iluminação, clima interno, circulação e funcionamento das áreas de carga e descarga.
Com praça central, área para eventos, praça de alimentação, espaço para feira de produtor rural e 84 boxes voltados à comercialização de flores, insumos e produtos da agroindústria familiar, o novo Mercado de Flores da Ceasa Curitiba nasce com a ambição de entrar no mapa afetivo e visual da cidade, seguindo o caminho de outros ícones arquitetônicos que marcam a capital paranaense.

