Mercosul mira novos acordos após fechar pacto com União Europeia

Presidente paraguaio destaca negociações com Emirados Árabes e interesse em mercados asiáticos

Marcio Edison
Marcio Edison 17/jan/26 | 19:01
Mercosul mira novos acordos após fechar pacto com União Europeia
Foto: Fonte: Agência Brasil / EBC

O Mercosul deu um passo histórico neste sábado (17) ao assinar um acordo de livre comércio com os 27 países-membros da União Europeia (UE), mas os olhos do bloco sul-americano já estão voltados para novos horizontes. Após a cerimônia em Assunção, capital do Paraguai, o presidente Santiago Peña afirmou que o trabalho de integração comercial "está apenas começando" e revelou as próximas frentes de negociação.

"Estamos avançando no tratado de livre comércio com os Emirados Árabes e mirando com enorme atenção o Japão, a Coreia do Sul e outros países asiáticos além da China, um sócio estratégico de todas as nações latino-americanas e do Mercosul", declarou Peña aos jornalistas. O presidente paraguaio, que atualmente exerce a presidência temporária do bloco, citou ainda a Indonésia e o Vietnã como mercados de interesse.

O acordo com a UE, considerado um dos mais importantes da história do Mercosul, envolve Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia - este último em processo final de adesão ao bloco. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o pacto permitirá ao Brasil acessar 36% do comércio global, demonstrando o potencial estratégico dessas parcerias.

Peña destacou que as negociações com os Emirados Árabes estão "avançando" e que os mercados asiáticos são considerados estratégicos para a expansão da rede de parceiros comerciais do Mercosul. O presidente enfatizou ainda as conversas com o Canadá: "Também estamos avançando em um acordo de complementação econômica com o Canadá, de maneira que não resta dúvida de que os países do Mercosul estão convencidos de que a integração econômica, a colaboração e o multilateralismo é o caminho [a trilhar]".

Durante a cerimônia de assinatura do acordo Mercosul-UE, tanto o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva quanto a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defenderam que o pacto beneficiará todas as partes envolvidas. Os líderes reforçaram a importância do multilateralismo em um momento de tensões geopolíticas globais.

O movimento do Mercosul em buscar múltiplos acordos comerciais reflete uma estratégia de diversificação de mercados e redução de dependência de poucos parceiros. Com economias complementares entre si, os países do bloco sul-americano buscam aumentar sua inserção internacional e atrair investimentos que possam impulsionar o desenvolvimento regional.

Analistas apontam que a conclusão do acordo com a UE, após mais de 20 anos de negociações intermitentes, dá novo fôlego político ao Mercosul e credibilidade para avançar em outras frentes. O bloco, que enfrentou períodos de tensão interna nos últimos anos, parece encontrar no comércio exterior uma agenda unificadora entre seus membros.

Os próximos meses serão decisivos para concretizar essas ambições. Enquanto o acordo com a União Europeia ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos de todos os países envolvidos - processo que pode levar anos -, as negociações com outros parceiros devem ganhar velocidade, aproveitando o impulso político gerado pela assinatura histórica em solo paraguaio.

Marcio Edison
Jornalista, radialista. Formado em Matemática (PUC/SP) e Comunicação Social (UNIP/SP) também é desenvolvedor web, palestrante de tecnologia e CEO da mexcorp.net