Bezos vs. Varda: Quem fará o trabalho no espaço?

A disputa entre visões de colonização espacial levanta questões éticas sobre quem trabalhará entre as estrelas.

Marcio Edison
Marcio Edison 17/jan/26 | 20:45
Bezos vs. Varda: Quem fará o trabalho no espaço?
Foto: Reprodução - TechCrunch

INTRODUÇÃO

Em outubro, Jeff Bezos previu que milhões viverão no espaço "nas próximas décadas", principalmente por desejo, já que robôs serão mais eficientes para o trabalho. Poucas semanas depois, Will Bruey, da Varda Space, fez uma previsão oposta: em 15 a 20 anos, será mais barato enviar um "humano da classe trabalhadora" à órbita por um mês do que desenvolver máquinas melhores. Essa contradição levanta questões profundas sobre o futuro do trabalho espacial.

DESENVOLVIMENTO

A declaração de Bruey, apresentada no TechCrunch Disrupt, não causou grande surpresa na plateia de tecnologia, mas gerou questionamentos sobre quem trabalhará no espaço e em quais condições. Para explorar essas questões, conversei com Mary-Jane Rubenstein, especialista em ética da expansão espacial. Rubenstein aponta que o cerne da discussão é o desequilíbrio de poder. "Trabalhadores já têm dificuldade suficiente na Terra pagando contas e se mantendo seguros... e segurados", ela destacou.

CONCLUSÃO

A disputa entre as visões de Bezos e Bruey revela um debate fundamental: enquanto um aposta na automação, o outro antevê uma força de trabalho humana "barata" no espaço. As implicações éticas são claras: sem regulamentação e consideração pelas condições de trabalho, a colonização espacial pode reproduzir ou até amplificar desigualdades terrestres. O futuro do trabalho entre as estrelas precisa ser discutido agora, antes que seja definido apenas pelo custo.

Marcio Edison
Jornalista, radialista. Formado em Matemática (PUC/SP) e Comunicação Social (UNIP/SP) também é desenvolvedor web, palestrante de tecnologia e CEO da mexcorp.net