Ex-fundador do Pebble reergue marca com estratégia antistartup
Eric Migicovsky lança nova empresa focada em sustentabilidade e lucro, evitando erros do passado com estoque.
Publicado em 12/jan/26 | 20:46
INTRODUÇÃO: Eric Migicovsky, o fundador da lendária Pebble, está de volta ao mercado de wearables com uma abordagem radicalmente diferente. Seu novo projeto, a Core Devices, não busca o crescimento explosivo típico das startups, mas sim construir um negócio sustentável e lucrativo desde o primeiro dia. A estratégia nasce das duras lições aprendidas com o colapso da Pebble original, vendida à Fitbit em 2016 após uma crise de estoque.
DESENVOLVIMENTO: Migicovsky deixa claro: "Esta não é uma startup". Em entrevista à TechCrunch, ele explicou que a Core Devices foi estruturada para ser uma empresa de longo prazo, evitando o ciclo frenético de captação de capital e crescimento a qualquer custo. O time é enxuto, não há fabricação antecipada de inventário e o financiamento é próprio. O foco está no relançamento do smartwatch Pebble e em um novo anel com IA, ideias que ele classifica como "antigas, mas sendo trazidas de volta" com um modelo de negócios mais maduro.
A experiência traumática com o excesso de estoque no Natal de 2015, quando as vendas ficaram US$ 20 milhões abaixo do previsto, moldou essa nova filosofia. "Hardware é diferente de software. Você tem que prever com antecedência quanto vai vender", reflete Migicovsky, destacando o risco de fabricar produtos físicos sem demanda garantida. Esse erro, somado à insatisfação de parceiros com margens reduzidas por liquidações, foi um golpe fatal para a Pebble original.
CONCLUSÃO: A jornada de Eric Migicovsky ilustra uma evolução crucial no ecossistema de hardware. Após vivenciar os altos e baixos de uma startup de sucesso (a venda da Fitbit para o Google por US$ 2,1 bilhões mostra o potencial do setor), ele agora aposta em um caminho mais conservador e controlado. A Core Devices representa um modelo alternativo: inovar sem a pressão do crescimento desmedido, priorizando a saúde financeira e a execução precisa. Seu sucesso poderá inspirar uma nova geração de empreendedores a questionar o dogma do "crescer rápido ou morrer" no hardware.