Estudo inédito revela os 100 melhores hospitais públicos do Brasil
Levantamento classifica unidades de saúde do SUS com base em critérios como mortalidade e ocupação
Publicado em 07/jan/26 | 21:02
Um levantamento nacional inédito, realizado por um consórcio de entidades de saúde, mapeou e classificou os 100 melhores hospitais públicos do país. O estudo, que serve como fase classificatória do Prêmio Melhores Hospitais Públicos do Brasil, traz um retrato detalhado da excelência dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), destacando unidades que, apesar das dificuldades crônicas do setor, conseguem oferecer assistência de qualidade à população.
A pesquisa foi conduzida pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross) em parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), o Instituto Ética Saúde (IES), o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). A premiação final está prevista para maio deste ano.
Para o médico sanitarista Renilson Rehem, ex-presidente do Ibross e coordenador do trabalho, o objetivo vai além de criar um simples ranking. "O mais importante não é tanto o ranking, mas o destaque dos melhores hospitais. Ao fazer isso, estamos dando uma pauta positiva para os hospitais públicos que normalmente vivem mais com pautas negativas, considerando as dificuldades que enfrentam", disse ele à Agência Brasil.
A metodologia do estudo considerou critérios robustos para a seleção. Foram avaliados a acreditação hospitalar – um processo voluntário de avaliação e certificação dos serviços de saúde –, as taxas de ocupação e de mortalidade, a disponibilidade de leitos de terapia intensiva e o tempo médio de permanência dos pacientes internados. Apenas hospitais com mais de 50 leitos e produção registrada no Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Ministério da Saúde entre agosto de 2024 e julho de 2025 foram considerados. Hospitais psiquiátricos e de longa permanência ficaram de fora da análise.
O levantamento considerou exclusivamente serviços hospitalares dos governos federal, estadual ou municipal que oferecem assistência 100% pelo SUS, sem nenhum tipo de atendimento por operadora de saúde privada. As unidades incluídas se enquadram como hospitais gerais (adultos ou pediátricos) ou especializados em áreas como ortopedia, oncologia, cardiologia e maternidade.
Na distribuição geográfica, o estado de São Paulo se destaca, concentrando 30 dos 100 melhores hospitais, o que representa 30% do total. Desses, 17 são instituições estaduais e as demais são municipais. Segundo os realizadores do estudo, essa disparidade em relação a outros estados ocorre porque São Paulo possui um número maior de hospitais públicos que atendem integralmente pelo SUS, tanto em termos proporcionais quanto em números absolutos.
Em seguida, aparece o estado de Goiás, com 10% dos hospitais listados. Pará e Santa Catarina vêm na sequência, cada um com 7% do total. Pernambuco e Rio de Janeiro têm 6% cada, enquanto o Paraná aparece com 5%. Outros estados com representação significativa incluem Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Maranhão e Minas Gerais, cada um com 3%. Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Tocantins aparecem com 2% cada, e Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe completam a lista com 1% cada.
O estudo surge em um momento de discussões sobre a saúde pública no Brasil, acompanhando notícias como o plano do governo federal para construir o primeiro hospital inteligente do SUS, a liberação pela Anvisa de um novo medicamento para a fase inicial do Alzheimer e alertas sobre o uso de canetas emagrecedoras por idosos. Ao destacar as melhores práticas, a iniciativa busca não apenas reconhecer o esforço de profissionais e gestores, mas também fortalecer a confiança no SUS e incentivar a melhoria contínua em todo o sistema.