Lula e Petro discutem crise na Venezuela após invasão dos EUA
Presidentes do Brasil e Colômbia expressam preocupação com violação da soberania venezuelana
Publicado em 08/jan/26 | 21:03
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu uma ligação do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, na tarde desta quinta-feira (8), para discutir a grave situação na Venezuela. O assunto central foi a invasão militar realizada pelos Estados Unidos (EUA) no último sábado (3), que resultou no sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cília Flores.
Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, os dois mandatários manifestaram grande preocupação com o uso da força contra um país sul-americano, considerando a ação uma violação ao direito internacional, à Carta das Nações Unidas e à soberania da Venezuela. Eles destacaram que tais ações constituem um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regionais e para a ordem internacional.
Durante a conversa, Lula e Petro também saudaram o anúncio feito pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, sobre a liberação de presos nacionais e estrangeiros que estavam detidos no país. Essa medida foi vista como um gesto positivo em meio à crise.
O presidente Lula informou a Petro que, a pedido da Venezuela, determinou o envio imediato de 40 toneladas de insumos e medicamentos, de um total de 300 toneladas já arrecadadas pelo Brasil. O material tem como objetivo reabastecer o estoque de produtos e soluções para diálise que estavam em um centro de abastecimento atingido pelos bombardeios dos EUA no sábado.
A situação é particularmente sensível para Brasil e Colômbia, que compartilham as maiores fronteiras terrestres com a Venezuela, cada uma com mais de 2 mil quilômetros de extensão. A crise humanitária e política no país vizinho tem reflexos diretos na região, incluindo fluxos migratórios e tensões nas áreas de fronteira.
O diálogo entre Lula e Petro ocorre em um contexto de crescente tensão internacional. O líder colombiano conversou na quarta-feira (7) com o presidente dos EUA, Donald Trump, após uma série de ameaças e acusações sem provas feitas pelo norte-americano contra Petro. Esse histórico recente torna a posição conjunta de Brasil e Colômbia ainda mais significativa no cenário regional.
A reação dos dois países sul-americanos reforça a preocupação com a estabilidade da região e com os princípios de não-intervenção e autodeterminação dos povos. Enquanto a comunidade internacional acompanha os desdobramentos, a prioridade imediata segue sendo o apoio humanitário à população venezuelana e a busca por soluções diplomáticas para o conflito.