Brasil envia 100 toneladas de medicamentos para a Venezuela após ataque
Doação prioriza pacientes de hemodiálise e repõe estoques destruídos em Caracas
Publicado em 08/jan/26 | 21:02
O governo brasileiro anunciou nesta quinta-feira (8) o envio de 100 toneladas de medicamentos e insumos de saúde para a Venezuela, em uma ação humanitária que busca apoiar a população do país vizinho após um ataque militar dos Estados Unidos no último sábado (3). O bombardeio em Caracas destruiu o maior centro de distribuição de medicamentos da Venezuela e resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Flores.
Na primeira leva de itens, o Brasil vai encaminhar 40 toneladas de medicamentos para atender, de forma prioritária, cerca de 16 mil pacientes que precisam de tratamento de hemodiálise e estariam desassistidos. A medida foi coordenada pelo Ministério da Saúde e tem como objetivo garantir a continuidade do tratamento dessas pessoas, que dependem de procedimentos regulares para sobreviver.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a doação não compromete os estoques brasileiros. "Essa doação não afeta a estrutura e assistência dos cerca de 170 mil pacientes que realizam diálise atualmente no Sistema Único de Saúde. Temos estoques seguros no Brasil e podemos ser solidários com o país vizinho", afirmou Padilha. Ele lembrou ainda que, durante a pandemia da covid-19, a Venezuela disponibilizou 130 mil metros cúbicos de oxigênio para o tratamento de pacientes brasileiros, em um gesto de reciprocidade que agora é retribuído.
Em carta enviada à ministra da Saúde da Venezuela, Magaly Gutiérrez, Padilha reforçou o apoio do governo brasileiro para a garantia da assistência à saúde dos venezuelanos, especialmente aos pacientes de diálise, afetados pela destruição do centro de distribuição. A correspondência oficial enfatiza o compromisso com a cooperação internacional em momentos de crise.
Os insumos a serem enviados para a Venezuela foram garantidos por doações de hospitais universitários e filantrópicos de todo o país. Eles fazem parte de um conjunto estratégico e essencial de materiais, incluindo medicamentos de uso contínuo, filtros, linhas arterial e venosa, cateteres e soluções específicas para o tratamento da hemodiálise. Essa mobilização demonstra a capacidade de articulação do sistema de saúde brasileiro em situações de emergência.
As 100 toneladas de doações ficarão armazenadas no Centro de Distribuição de Insumos e Medicamentos do Ministério da Saúde, localizado em Guarulhos (SP), até serem totalmente despachadas. O local serve como ponto de logística central para garantir que os materiais cheguem com segurança e eficiência ao destino final.
A ação ocorre em um contexto de tensão geopolítica, com notícias relacionadas indicando que o presidente Lula e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, conversaram por telefone sobre a situação na Venezuela. Além disso, a Força Nacional deve aumentar seu efetivo na fronteira do Brasil com a Venezuela, em uma medida preventiva para garantir a segurança na região.
O bombardeio dos EUA, que além do centro de distribuição de medicamentos também destruiu um centro de pesquisas da Venezuela, levantou preocupações internacionais sobre a estabilidade do país e o acesso a serviços essenciais pela população. A doação brasileira surge como uma resposta concreta a uma necessidade urgente, reforçando os laços históricos e a proximidade geográfica entre os dois países, que compartilham uma fronteira de mais de mil quilômetros.