Vinte e cinco de junho de 2009. Uma data que marcou a história do entretenimento, mas que também deixou uma lição amarga sobre a nossa atenção. Farrah Fawcett, símbolo de luta e resiliência, partiu após anos de uma batalha pública e educativa contra o câncer. Horas depois, Michael Jackson morria. O resultado? O "Efeito Farrah Fawcett": uma mulher lindíssima, uma causa nobre e uma vida de exemplo foram sepultadas pelo choque de uma notícia maior e mais explosiva.

Nas redes sociais, o Caso Orelha sofreu do mesmo mal. Quando o sangue apareceu na tela, o "Michael Jackson" do choque dominou os algoritmos. Milhões compartilharam o horror, hashtags subiram e o barulho foi ensurdecedor. Mas, assim que o impacto visual passou, o silêncio da "Farrah Fawcett" se instalou. O Carnaval também ajudou a retirar do cenário o cachorrinho, ninguém mais falou sobre ele.

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O Abismo do Engajamento

Hoje, os números não mentem: a manifestação digital em favor do Orelha despencou. O algoritmo, essa máquina fria que busca apenas a retenção pelo impacto, parou de entregar o caso. A multidão que "poderia eleger um presidente" sumiu assim que o conteúdo deixou de ser uma tragédia "fresca" para se tornar um processo judicial lento ou uma pauta educativa. Perdeu-se o espetáculo, diante do maior show da Terra...

Enquanto você clica e compartilha a imagem de dor, você está, literalmente, matando o alcance de quem está tentando ensinar a solução. O algoritmo entende que você quer "choque" e esconde de você — e dos seus amigos — as matérias que realmente importam: as que ensinam a adotar, as que mostram os benefícios da convivência pet para a saúde mental e as que trazem segurança jurídica.

A Dieta do Ódio

Precisamos encarar a verdade: para uma mente doentia, o seu post de revolta é inspiração. É o "Michael Jackson" do crime animal. Enquanto você acha que está denunciando, pode estar alimentando a criatividade de quem sente prazer no sofrimento alheio.

O "Efeito Farrah Fawcett" nas redes sociais é uma escolha diária. Cada vez que você escolhe compartilhar a tragédia em vez da informação útil que esta coluna produz (até agora,  noventa matérias educativas), você está ajudando a enterrar a solução.

O algoritmo te observa e te entrega o que você consome. Se você consome e espalha apenas o "sangue", suas mãos digitais estão sujas de uma indignação que não constrói nada. No final, quando as telas se apagarem, o que sobrará? O barulho de um momento ou a justiça de uma vida inteira dedicada a aprender e ensinar a cuidar?

Pare de ser escravo do choque. Saia da sombra do espetáculo e venha para a luz da informação. Compartilhe esta coluna!