O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira (25) que o momento de sua saída do cargo está diretamente ligado a uma possível viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos para um encontro bilateral com o presidente americano, Donald Trump. A declaração foi dada a jornalistas na portaria do Ministério da Fazenda, logo após o retorno do ministro de uma viagem oficial à Índia e à Coreia do Sul, onde acompanhou o presidente Lula.
"Se eu for [viajar], a data de saída é uma, se eu não for, a data é outra", declarou Haddad, deixando claro que sua permanência na pasta depende da participação na comitiva presidencial. O ministro informou que pretende se reunir com Lula nesta quinta-feira (26) para definir se integrará a delegação brasileira na viagem internacional.
A expectativa no governo é de que o encontro entre Lula e Trump ocorra entre os dias 15 e 20 de março, embora ainda não haja confirmação oficial das datas por parte do Palácio do Planalto ou da Casa Branca. Caso a viagem se concretize, Haddad provavelmente adiaria sua saída para acompanhar o presidente na agenda diplomática.
Desde o final de 2025, o ministro vem sinalizando sua intenção de deixar o comando da Fazenda para dedicar-se à campanha de reeleição do presidente Lula. Inicialmente, ele cogitou deixar o cargo ainda em fevereiro, mas a mudança deve ficar para meados de março, especialmente considerando o calendário internacional.
Antes de passar a pasta adiante, Haddad pretende concluir estudos importantes sobre alternativas de financiamento para a proposta de tarifa zero no transporte público, que devem ser apresentados até abril. Outro tema prioritário é a regulamentação sobre a tributação de criptoativos, um assunto que vem ganhando relevância no debate econômico nacional.
Na esteira da possível saída de Haddad, o nome mais cotado para assumir o comando da Fazenda é o do atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan. Caso a mudança se confirme, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, assumiria a secretaria-executiva, mantendo a continuidade na gestão econômica do governo.
Apesar de descartar publicamente qualquer candidatura nas eleições deste ano, Haddad enfrenta pressão interna no PT para disputar o governo de São Paulo ou uma das duas vagas para o Senado no estado. O ministro, no entanto, continua a reforçar em suas declarações que não pretende concorrer nas próximas eleições, preferindo focar no apoio à reeleição de Lula.
A situação cria um cenário de transição cuidadosamente planejado no Ministério da Fazenda, onde a agenda internacional do presidente brasileiro se tornou um fator determinante para o cronograma de mudanças na equipe econômica do governo.

