Uma operação deflagrada nesta quarta-feira (10) pela Polícia Federal (PF) desmantelou uma organização criminosa especializada no aliciamento e tráfico de mulheres brasileiras para exploração sexual na Europa. A ação, batizada de "Operação Europa Livre", resultou na prisão de quatro pessoas no Brasil e outras duas na Espanha, além do cumprimento de oito mandados de busca e apreensão em cinco cidades.
De acordo com as investigações, os criminosos atuavam de forma organizada, recrutando mulheres em situação de vulnerabilidade no Brasil, principalmente nas regiões Sudeste e Sul. O modus operandi incluía promessas de emprego, oportunidades de estudo ou relacionamentos amorosos falsos para atrair as vítimas. Uma vez convencidas, elas eram transportadas para o exterior, com destaque para a Espanha, onde a rede mantinha bases de operação.
As prisões no Brasil ocorreram na capital paulista e nas cidades de Ubatuba (litoral paulista), Jundiaí (SP), São Pedro (SP) e Rio das Ostras (RJ). Já as duas detenções na Espanha foram realizadas na cidade de Álava, com apoio direto da Interpol, a Organização Internacional de Polícia Criminal, e da Polícia Nacional da Espanha. A cooperação internacional foi fundamental para rastrear os integrantes da organização que atuavam no exterior.
Segundo a PF, as vítimas eram submetidas a condições degradantes ao chegarem à Europa. Elas sofriam ameaças, tinham seus documentos retidos e eram forçadas a trabalhar em regime de escravidão sexual, sem qualquer liberdade ou remuneração justa. Muitas ficavam isoladas e sob vigilância constante, dificultando a busca por ajuda.
A investigação, que durou cerca de um ano, foi conduzida em parceria com o Centro Especializado de Combate ao Tráfico de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes da Ameripol, uma organização de cooperação policial das Américas. Estima-se que a organização criminosa tenha movimentado mais de R$ 40 milhões com essa atividade ilegal, valor obtido por meio da exploração das vítimas e de esquemas de lavagem de dinheiro.
Além das prisões, os agentes apreenderam documentos, celulares, computadores e outros itens que podem conter provas sobre a extensão da rede. A PF também busca identificar outras vítimas e possíveis colaboradores da organização, tanto no Brasil quanto no exterior.
O tráfico de pessoas é um crime grave que afeta milhares de brasileiros anualmente, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Operações como essa destacam a importância da atuação integrada entre polícias nacionais e internacionais no combate a redes transnacionais. A PF reforça que denúncias podem ser feitas anonimamente por meio do Disque 100 ou de canais especializados.

