A Polícia Civil de São Paulo desferiu um duro golpe contra o crime organizado nesta quinta-feira (12) com uma megaoperação que cumpriu 23 mandados de busca e prisão contra um grupo empresarial acusado de montar um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. A força-tarefa, que mobilizou 100 policiais civis, 20 auditores fiscais da Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz-SP) e dois promotores de Justiça, resultou na prisão de dois integrantes da organização e no bloqueio de valores que podem ultrapassar a casa dos R$ 1 bilhão.
Em coletiva de imprensa, o delegado-geral da Polícia Civil, Artur José Dian, detalhou a dimensão da operação. "Realizamos uma operação de grande vulto, com bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em diversas contas bancárias, uma operação contra sonegação, fraude fiscal. Temos dois presos, o terceiro está na China. As investigações começaram com a denúncia de uma vítima de uma plataforma digital e culminou nessa grande operação", explicou Dian.
Os dois presos são uma brasileira responsável pela parte comercial do esquema e um membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores facções criminosas do país. O terceiro alvo, identificado como o chefe da quadrilha, encontra-se em viagem à China, conforme revelou o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Ronaldo Sayeg. "O que sabemos é que essa quadrilha funciona com fraude documental para sonegar e lavar dinheiro. Trata-se de uma estrutura criminosa apoiando outra estrutura criminosa, mas ainda estamos investigando a participação de cada uma", afirmou Sayeg.
Os valores bloqueados impressionam pela magnitude. Sayeg esclareceu que o bloqueio mínimo estipulado foi de R$ 1 bilhão, mas como são 36 contas envolvidas, o montante final pode ser muito maior. "Se houver R$ 1 bilhão em cada conta, vamos bloquear R$ 36 bilhões", projetou o delegado. Além das contas bancárias, a operação resultou no bloqueio de imóveis avaliados em R$ 25 milhões e na apreensão de quatro carros de luxo, que permanecerão sob custódia durante as investigações.
A investigação, que teve início a partir da denúncia de uma vítima de uma plataforma digital, revelou um complexo sistema de desvio de fluxo financeiro. A organização utilizava uma engenharia financeira sofisticada: enquanto as vendas de produtos eletrônicos eram realizadas por uma plataforma principal, os pagamentos eram redirecionados para empresas de fachada. Esse mecanismo permitiu a movimentação de pelo menos R$ 1,1 bilhão em apenas sete meses, utilizando 'laranjas' e dezenas de contas bancárias.
Outro aspecto alarmante do esquema era o uso de pessoas com histórico criminal ligado a facções para atuar como sócios de fachada e beneficiários de imóveis de alto valor, uma estratégia de blindagem patrimonial. Os mandados foram cumpridos em São Paulo e Santa Catarina, demonstrando a abrangência interestadual das atividades criminosas.
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, destacou a importância da união de forças no combate a crimes dessa natureza. "Nosso trabalho se concentra principalmente na asfixia financeira de grupos que fraudam o dinheiro do Estado, e isso só ocorreu graças à união de forças entre a polícia, o Ministério Público e a Secretaria Estadual da Fazenda. Somente unidos conseguimos combater crimes desse porte, que envolvem uma sofisticada engenharia financeira", ressaltou Gonçalves.
A operação representa um marco no enfrentamento ao crime organizado em São Paulo, mostrando como a integração entre órgãos de segurança e fiscalização pode desmontar estruturas criminosas que operam na sombra da legalidade. As investigações continuam para esclarecer todos os detalhes do esquema e a possível conexão com outras organizações criminosas.

