Um estudo brasileiro liderado pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, pode mudar a forma como são tratadas doenças nas válvulas do coração. Os resultados, apresentados na última semana em Nova Orleans, nos Estados Unidos, mostram que um procedimento menos invasivo feito por cateter é significativamente mais seguro do que a cirurgia cardíaca tradicional de peito aberto.

A pesquisa avaliou pacientes com idade média de 58 anos, sendo a maioria mulheres e muitos com hipertensão pulmonar. Essas pessoas já tinham passado por uma cirurgia no coração cerca de 14 anos antes e precisavam de um novo procedimento. O estudo comparou os dois tipos de tratamento: a cirurgia convencional e o método por cateter, no qual o médico utiliza um tubo fino inserido no corpo para chegar ao coração, sem necessidade de abrir o peito.

Os números são impressionantes. Após um ano, a taxa de morte ou de Acidente Vascular Cerebral (AVC) grave foi de apenas 5,3% entre os pacientes que fizeram o procedimento por cateter, contra 20,8% entre os que passaram pela cirurgia tradicional. Isso representa uma redução de mais de 75% no risco de eventos graves.

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Para o diretor do Instituto Dante Pazzanese, Fausto Feres, esses resultados são um marco importante. "Esse resultado mostra que é possível oferecer ao paciente uma alternativa mais segura e menos invasiva, com menor risco de complicações e recuperação mais rápida", afirma. Ele destaca ainda que "é um avanço relevante, que reafirma o papel do Dante Pazzanese como referência internacional em cardiologia e na produção de conhecimento com impacto direto no cuidado à população".

O estudo foi liderado por Dimytri Siqueira, chefe da Seção Médica de Intervenção em Valvopatias Adquirida do Instituto Dante Pazzanese. Além dos benefícios no longo prazo, o tratamento por cateter também apresentou vantagens imediatas: menos complicações, menor risco de morte no período pós-operatório, menos sangramentos e menor chance de problemas nos rins.

Esses dados reforçam o potencial das técnicas menos invasivas para ampliar a segurança dos pacientes e melhorar os resultados no tratamento cardíaco. Para pessoas que já passaram por cirurgias cardíacas anteriores e precisam de novos procedimentos, a descoberta representa uma esperança de tratamento com menos riscos e recuperação mais tranquila.

O estudo coloca o Brasil na vanguarda da pesquisa cardiológica mundial e demonstra como instituições públicas de saúde podem produzir conhecimento de alto impacto. O Instituto Dante Pazzanese, referência nacional em cardiologia, consolida sua posição como centro de excelência que desenvolve soluções inovadoras para problemas de saúde que afetam milhares de brasileiros.