A Tesla oficialmente rescindiu o pacote de remuneração interino de US$ 29 bilhões concedido ao CEO Elon Musk no ano passado, após a Suprema Corte de Delaware restaurar seu acordo original de US$ 56 bilhões de 2018. A medida segue a lógica do princípio 'no double dip' (sem dupla contagem), conforme explicado pela empresa em seu arquivamento trimestral na Securities and Exchange Commission (SEC) na quinta-feira.
O pacote interino havia sido concedido em agosto de 2025 como uma proteção contra a possibilidade de a mais alta corte de Delaware rejeitar o recurso de Musk. A Tesla deixou claro aos investidores que o pacote seria anulado caso Musk obtivesse vitória. 'Não pode haver qualquer 'double dip'', afirmou a empresa no ano passado. Com a decisão favorável da Suprema Corte de Delaware, que restaurou o pacote de 2018, o conselho da Tesla votou pela revogação do interino, sem a participação de Musk ou de seu irmão Kimbal Musk.
O pacote original de US$ 56 bilhões foi concedido a Musk em 2018 e contestado judicialmente por um acionista que alegou que o CEO negociou consigo mesmo e não informou adequadamente os acionistas. Após anos de litígio, a Corte de Chancelaria de Delaware decidiu em 2024 a favor do acionista, anulando o pacote. A Tesla recorreu à Suprema Corte estadual, que reverteu a decisão. Durante o processo, a Tesla conduziu uma campanha de relações públicas e realizou uma 're-votação' do pacote para demonstrar apoio acionista, enquanto Musk ameaçava deixar a empresa para desenvolver inteligência artificial em outro lugar. O pacote interino foi uma solução temporária, enquanto a empresa também trabalhava em um plano de remuneração maior, de até US$ 1 trilhão.
A conclusão desse caso reforça a governança corporativa da Tesla e a validação judicial do pacote de remuneração de Musk, eliminando a duplicidade de prêmios e encerrando um capítulo de incerteza legal.

