O carnaval do Rio de Janeiro, conhecido mundialmente pela sua energia e agito, também foi marcado por um inimigo silencioso: o calor intenso. De acordo com um levantamento da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), entre os dias 13 e 17 de fevereiro, período que englobou os dias de folia, 647 pessoas procuraram as unidades de Pronto Atendimento (UPA) da rede estadual com sintomas diretamente relacionados ao excesso de calor. Isso significa que, em média, a cada hora, cinco pacientes chegavam às UPAs com queixas provocadas pelas altas temperaturas.

Os sintomas registrados foram diversos e, em muitos casos, graves. A lista inclui desde manifestações mais comuns, como dor de cabeça, tontura, náuseas, pele quente e seca, e desidratação, até condições mais sérias que exigem atenção imediata. Entre elas estão pulso acelerado, temperatura corporal elevada, distúrbios visuais, confusão mental, respiração rápida, taquicardia, insolação e desequilíbrio hidroeletrolítico. Esses quadros, se não tratados adequadamente, podem evoluir para complicações de saúde significativas.

O levantamento apontou que os atendimentos por causa do calor foram mais frequentes em algumas regiões específicas da capital. As UPAs localizadas em Realengo, Botafogo e Irajá concentraram um número elevado desses casos. Esse padrão pode estar relacionado à maior aglomeração de foliões nesses bairros durante os blocos e desfiles, combinada com a falta de sombra e a exposição prolongada ao sol.

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No geral, as 27 UPAs da rede estadual no Rio de Janeiro registraram um movimento intenso durante todo o período carnavalesco. Ao todo, foram 27.433 atendimentos, o que representa um aumento de 2,05% em comparação com o carnaval do ano anterior. As principais queixas que levaram a população às unidades foram dores em geral e gastroenterite. As UPAs de Mesquita, Campo Grande I e Nova Iguaçu (Botafogo) foram as que mais receberam pacientes durante os dias de folia.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) da capital, único do estado operado diretamente pela SES-RJ, também teve uma atuação movimentada. Foram registrados 3.262 atendimentos no período, com um maior número de ocorrências nos bairros de Campo Grande, Centro, Copacabana, Santa Cruz e Guaratiba. Os principais motivos das chamadas ao Samu foram casos cardiovasculares, neurológicos e quedas da própria altura, situações que podem ser agravadas pelo calor excessivo e pela desidratação.

O contexto climático ajuda a entender o cenário. Durante o carnaval, boa parte do país enfrentou uma combinação de chuva e calor, conforme noticiado por agências meteorológicas. No Rio, as altas temperaturas, muitas vezes acima dos 35°C, associadas à umidade elevada, criaram condições propícias para o surgimento dos sintomas relatados. A exposição prolongada ao sol, o consumo inadequado de água e o esforço físico durante a folia são fatores de risco conhecidos para problemas como insolação e desidratação.

Enquanto a saúde pública lidava com os efeitos do calor, o carnaval seguia seu curso com outras notícias marcantes. A Unidos do Viradouro foi coroada campeã do Carnaval do Rio de Janeiro, e o ícone do carnaval paulista, Ideval Anselmo, faleceu aos 85 anos. No entanto, os números da SES-RJ servem como um alerta importante: em meio à celebração, é fundamental que foliões e turistas não negligenciem os cuidados com a saúde, especialmente em dias de calor extremo. Hidratação constante, uso de protetor solar, roupas leves e busca por sombras são medidas simples que podem prevenir muitos dos atendimentos registrados nas UPAs e garantir uma folia mais segura para todos.