O Banco Regional de Brasília (BRB) anunciou nesta terça-feira (3) a identificação de "achados relevantes" que podem auxiliar as autoridades nas investigações sobre o Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo banco público. As informações constam da primeira etapa de um relatório preliminar elaborado por uma auditoria contratada pelo BRB para apurar "eventuais atos ilícitos".
Em nota divulgada, o banco público ligado ao governo do Distrito Federal explicou que um relatório já foi entregue à Polícia Federal (PF) no dia 29 de janeiro e ao Banco Central (BC) na segunda-feira (2). O BRB afirmou que vem adotando "inúmeras medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais" relacionadas a fundos de investimentos, garantias e carteiras de crédito adquiridas pelo banco.
"Medidas estas que correm, parte em sigilo, e que serão reforçadas por novas medidas, com a maior brevidade possível, para garantir a efetividade da preservação dos interesses do Banco", informou a instituição. O caso do Banco Master, cuja liquidação foi decretada pelo BC em novembro de 2025, revelou um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro, com suspeitas de fraudes bilionárias e uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos.
Controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Master cresceu rapidamente ao oferecer Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima da média do mercado. Para sustentar esse modelo, segundo investigadores, o banco passou a assumir riscos excessivos e a estruturar operações que inflavam artificialmente seu balanço, enquanto a liquidez real se deteriorava.
Notícias recentes mostraram que o diretor do BC afirmou à PF que o Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa, e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já pagou R$ 32,5 bilhões a 75% dos credores do banco. A situação também gerou desdobramentos políticos, com o presidente da CPI relacionada ao caso pedindo a convocação do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, após sua ausência em uma audiência.
Além do Banco Master, a gestora de investimentos Reag também teve sua liquidação decretada na quinta-feira (15), ampliando o escopo das investigações sobre tentativas de socorro via banco público. O BRB reforçou que continuará colaborando com as autoridades e tomando as medidas necessárias para proteger seus interesses e contribuir para o esclarecimento dos fatos.

