Trump ameaça Cuba e Díaz-Canel reage com firmeza nas redes sociais
Tensão entre EUA e Cuba se acirra após corte de petróleo venezuelano e sequestro de Maduro
Publicado em 11/jan/26 | 17:00
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acendeu um novo capítulo de tensão nas relações com Cuba neste domingo (11), utilizando sua plataforma Truth Social para fazer ameaças diretas ao governo da ilha caribenha. Em uma série de posts, o mandatário norte-americano afirmou que o fluxo de petróleo venezuelano para Cuba, que sustentava a economia local por anos, chegou ao fim de forma abrupta.
"Cuba viveu muitos anos com uma grande quantidade de petróleo e dinheiro vindos da Venezuela. Em contrapartida, Cuba fornecia 'serviços de segurança' para os dos últimos ditadores venezuelanos. Agora isso acabou!", escreveu Trump em sua rede social. A Venezuela era historicamente o maior fornecedor de petróleo para Cuba, mas o serviço foi interrompido após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro no dia 3 de janeiro.
O presidente norte-americano ainda revelou detalhes sombrios sobre o episódio, afirmando que "a maioria dos cubanos que eram seguranças pessoais de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, foram mortos na operação que sequestrou o líder venezuelano". Trump aproveitou para destacar o novo papel dos Estados Unidos na região: "A Venezuela agora tem os EUA, a força militar mais poderosa do mundo (de longe!) pra protegê-los".
As ameaças não pararam por aí. Trump enviou um aviso explícito ao governo cubano: "Sugiro fortemente que eles façam um acordo antes que seja tarde demais". A mensagem foi interpretada como uma pressão para que Cuba aceite condições políticas e econômicas impostas pelos Estados Unidos.
A resposta cubana não demorou a chegar. O presidente Miguel Díaz-Canel foi às redes sociais para rebater ponto por ponto as declarações de Trump. Em um texto firme e emocionado, o líder cubano afirmou: "Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos dirá o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos e ela não ameaça, ela se prepara para defender a Pátria até a última gota de sangue".
Díaz-Canel foi além na crítica às políticas norte-americanas, acusando os Estados Unidos de serem responsáveis pelas dificuldades econômicas que Cuba enfrenta. Segundo ele, quem culpa a revolução cubana pelas carências "deveriam se calar por vergonha, porque sabem e reconhecem que elas são fruto das medidas de asfixia extrema que os EUA nos aplicam há seis décadas e que agora ameaçam superar".
O presidente cubano também questionou a moralidade das acusações norte-americanas: "Os EUA não têm moral nenhuma para apontar o dedo para Cuba, pois transformam tudo em negócio, até mesmo vidas humanas. Aqueles que agora se revoltam histericamente contra nossa nação estão consumidos pela raiva da decisão soberana deste povo de escolher seu modelo político".
O embate público entre os dois líderes ocorre em um momento delicado para a região. A Venezuela, que servia como ponte energética entre Cuba e o petróleo, enfrenta sua própria crise política após o sequestro de Maduro. Enquanto Trump posiciona os Estados Unidos como protetores da Venezuela, Díaz-Canel reafirma a soberania cubana e a resistência histórica ao que chama de "agressão" norte-americana.
Analistas internacionais observam que a troca de acusações nas redes sociais reflete uma escalada retórica que pode ter consequências práticas significativas. Com o corte do fornecimento de petróleo venezuelano, Cuba enfrenta desafios energéticos ainda maiores, enquanto os Estados Unidos parecem determinados a intensificar a pressão sobre o governo socialista da ilha.
O episódio também se conecta com outras movimentações da política externa trumpista, como a ofensiva sobre a Venezuela e as declarações sobre o Irã, mostrando um padrão de confronto direto com governos considerados adversários pelos Estados Unidos. Enquanto isso, em território norte-americano, milhares foram às ruas para protestar contra as políticas migratórias de Trump, demonstrando que as tensões não se limitam ao cenário internacional.