Sanepar estende limpeza de praias para área de preservação no litoral

Trabalhadores recolhem lixo em Ilha das Peças, enquanto mutirões seguem em outros pontos turísticos

Publicado em 11/jan/26 | 22:01
Sanepar estende limpeza de praias para área de preservação no litoral
Foto: Sanepar

A rotina dos trabalhadores contratados pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) para a limpeza das praias ganhou um novo cenário neste domingo (11). Em vez das areias movimentadas de Matinhos, Guaratuba ou Pontal do Paraná, a equipe teve como destino a Ilha das Peças, uma área de preservação ambiental no município de Guaraqueçaba, no Litoral do estado. A ação marca a primeira iniciativa da companhia em pontos de preservação ambiental durante esta edição do programa Verão Maior Paraná.

O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, destacou a importância de expandir o trabalho. "Há alguns anos a Sanepar realiza ações pontuais em Guaraqueçaba. Entendemos que é muito importante estender essa ação de limpeza para além das praias de Matinhos, Guaratuba e Pontal do Paraná, abrangendo mais locais que têm a presença muito forte de turistas", afirmou. Estão programados mais três mutirões: dois em Guaraqueçaba (na Ilha das Peças e em Superagui) e um em Morretes, nos pontos de banho dos rios que cortam o município.

A novidade para a equipe começou logo no deslocamento. Eles viajaram de barco a partir de Pontal do Sul até a ilha, que integra o território de Guaraqueçaba. Ao chegarem, porém, tiveram uma surpresa positiva: encontraram uma beira-mar bem cuidada, com pouco lixo para recolher. Todo o material coletado coube em um único carrinho de mão, um cenário bem diferente do que os trabalhadores costumam enfrentar.

O gestor de Educação Ambiental da Sanepar, Guilherme Zavataro, reforçou o propósito da ação. "Aqui é um lugar maravilhoso, paradisíaco. Queremos que as pessoas que vêm aqui tenham a consciência de levar seu lixo de volta, para manter esse lugar único. A Sanepar mantém essa ação de Educação Ambiental há mais de uma década para sensibilizar a população", explicou.

Entre os participantes estava a catadora Aparecida Romualdo dos Reis, de 68 anos, moradora do Balneário Olho D’água, em Pontal do Paraná. Ela visitou a ilha pela primeira vez e se encantou não só com a paisagem, mas também com a vista de golfinhos no mar durante o trabalho. Aparecida também elogiou o cuidado que os turistas demonstraram com a limpeza do local.

Ao final do dia, o grupo teve a oportunidade de conhecer a arte caiçara de Renato, descendente de uma das tribos Guarani que habitam a região há séculos. Ele pratica o entalhe em madeira, utilizando principalmente a caixeta, uma árvore nativa do litoral. "Uso bastante a caixeta, uma árvore nativa do nosso litoral e que sempre brota de novo. Estou usando madeira das mesmas árvores que meus antepassados usaram", contou o artesão.

O resultado na Ilha das Peças contrasta fortemente com a realidade das praias mais frequentadas. Desde o dia 19 de dezembro de 2025, os 181 trabalhadores da Sanepar atuando no litoral paranaense têm retirado, em média, seis toneladas de lixo por dia das areias. O material inclui desde produtos recicláveis até resíduos sem utilidade, deixados pelos veranistas.

Devoncir Alves Coutinho, de 62 anos, está em sua terceira temporada como trabalhador da limpeza das praias no projeto da Sanepar. Ele descreve uma técnica bem treinada para a seleção do que deve ser removido. "Um dos principais critérios é assegurar a segurança da fauna e da flora; outro, o bem-estar das pessoas", afirmou. Primeiro, a equipe faz uma varrição com restelo para amontoar os resíduos.

"Daí, tiramos tudo, canudinho, tampinha, bituca de cigarro, tudo o que as tartarugas e outros bichinhos podem engolir e acabar morrendo. A gente deixa o que é graveto, semente, raízes, para não levar para outros locais o que é da mata nativa", detalhou Coutinho. Ele também observa que, a cada ano, a quantidade de lixo recolhida tem aumentado. "É muito, mas muito lixo mesmo. Isso mata os bichinhos, deixa a praia imunda. Queremos que as pessoas tenham a consciência de trazer uma sacolinha para a praia, colocar o que é lixo nela e não deixar nada na areia", alertou.

Débora Joana da Veiga Romualdo, também de 62 anos e em sua terceira temporada com a Sanepar, chamou a atenção para outro perigo comum: as garrafas de vidro. "É comum eu encontrar cacos de vidro quando uso o restelo. Aí, tenho de cavar mais para achar os outros pedaços da garrafa. As pessoas acham que enterrando o vidro resolvem o problema. Mas criam um risco sério de cortes e outros acidentes para quem vem depois", relatou.

A Ilha das Peças, cenário deste primeiro mutirão em área de preservação, é um local de extrema importância ambiental. Margeando a Baía de Paranaguá e com vista para a Serra do Mar, ela é considerada o maior berço de botos-cinza no Brasil. A ilha integra o Parque Nacional do Superagui, uma área de 33,9 hectares de Mata Atlântica, e serve de hábitat para espécies ameaçadas de extinção, como o mico-leão da cara preta e o papagaio de cara roxa. A ação da Sanepar reforça a necessidade de preservar esse patrimônio natural, equilibrando o turismo com a conservação ambiental.


Fonte: www.parana.pr.gov.br

COMPARTILHE: