Shakira sempre me chamou atenção por um motivo simples: ela nunca pareceu se encaixar em nenhuma categoria pronta. Desde os anos 1990, quando “Estoy Aquí” começou a tocar sem parar no Brasil, já dava para perceber que havia algo diferente ali. Uma artista jovem, compositora, com uma mistura de referências que não obedecia fronteiras: pop latino, rock, folk, influências do Oriente Médio… E talvez seja por isso que, tantos anos depois, ela continue mobilizando multidões com tamanha naturalidade.

A trajetória dela é marcada por fases muito distintas, mas todas com a mesma assinatura. “Pies Descalzos” apresentou ao mundo uma Shakira que escrevia sobre o que vivia, com franqueza e identidade. Pouco depois, “Laundry Service” abriu as portas do mercado global com “Whenever, Wherever” e, a partir dali, vieram sucessos que moldaram o pop dos anos 2000: “La Tortura”, “Hips Don’t Lie” e “Waka Waka”. Cada um desses momentos ampliou o alcance dela sem apagar suas raízes latinas — pelo contrário, reforçou.

As parcerias contam outra parte importante dessa história. Alejandro Sanz, Wyclef Jean, Rihanna, Karol G, Anitta, Bizarrap. Shakira sempre soube circular entre gerações e estilos, e isso explica por que continua relevante mesmo em um cenário pop que muda o tempo todo. Não é só isso: ela também abriu portas para artistas que hoje dominam o mercado.

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