Aos 13 anos, a paranaense Eduarda Gomes, a Duda, natural de Palmas, no Sudoeste do Paraná, se prepara para um feito raro no tênis mundial. Ela conquistou vaga em dois dos principais torneios juvenis do planeta: o Roland Garros Juvenil e o Wimbledon Junior, que ocorrem entre maio e julho de 2025 na Europa. A classificação para Roland Garros veio após vencer o Roland Garros Junior Series em São Paulo, em abril, tornando-se a campeã mais jovem da história do torneio.
Duda embarca para Paris no fim de maio, onde disputa o torneio em quadras de saibro, e em seguida segue para Londres para Wimbledon, no início de julho. A família já organiza a logística da viagem, que deve durar cerca de um mês. Os dois torneios fazem parte dos quatro Grand Slams, as competições mais tradicionais e valiosas do tênis.
A trajetória de Duda começou cedo, aos sete anos, incentivada pela família – tio, avô e mãe jogavam tênis. Inicialmente recreativa, a prática ganhou contornos competitivos. "Eu comecei com uns sete anos. Era uma vez por semana, uma horinha. Depois comecei a jogar torneio e fui aumentando os treinos", conta. As primeiras competições foram estaduais, com metas modestas, até a evolução gradual. Hoje, a rotina exige dedicação intensa: o pai e treinador, Sullevan Alves Bueno, estima que a temporada passada teve entre 35 e 40 semanas na estrada. "Foi uma surpresa. A nossa expectativa maior era vencer a Copa Cosat, que é para atletas de até 14 anos. O Roland Garros Junior Series, que vai até 17 anos, não era algo que a gente esperava que ela pudesse ganhar nesse ano pelo menos", afirma.
Entre as inspirações de Duda está o espanhol Carlos Alcaraz, campeão de Grand Slams, que ela admira desde pequena. "A primeira vez que eu vi ele jogar foi contra o Nadal. Ele ganhou e eu comecei a gostar dele ali", conta.
Para o treinador Roland Santos, com cinco décadas de atuação, o Brasil vive uma fase promissora no tênis de base. "O Brasil vive uma das melhores fases do infantil e juvenil. Está vindo uma base muito forte. Além da Duda, que é do Paraná, temos outros exemplos nacionais como a Naná [Nauhany Silva], a Victória Barros e outros atletas chegando. É animador ver que o Brasil vai colher frutos muito bons daqui para frente", afirma. Ele destaca que o Paraná se consolidou como uma federação estruturada, com calendário amplo e torneios em todo o Estado, criando um celeiro de novos talentos.
No ano passado, outros dois paranaenses disputaram Grand Slams juvenis: Flávia Cherobim, de Curitiba, competiu em Wimbledon; e João Bonini, de Londrina, jogou Roland Garros, Wimbledon e US Open, conquistando o ouro no Pan-Americano Junior. Ambos contam com apoio do programa Geração Olímpica e Paralímpica (GOP) e do Proesporte, do Governo do Paraná. Exemplos recentes de sucesso no juvenil incluem João Fonseca, campeão do US Open juvenil em 2023 e hoje número 1 do mundo juvenil na época, e Beatriz Haddad Maia, semifinalista profissional em Roland Garros em 2023.
Os Grand Slams têm peso máximo no sistema de pontuação juvenil, influenciando o ranking e abrindo portas para o futuro. Duda agora foca no maior desafio da carreira, em contato direto com o ambiente de elite do tênis mundial.

