É com profundo pesar que vemos um planeta em chamas; não há como tripudiar nesta situação caótica. O belo, hoje, está nas mãos que se estendem para salvar um semelhante ou um animal ferido em um incêndio ou terremoto.

O século XXI nos vendeu a ilusão de um mundo perfeito, envelopado em telas brilhantes, viagens de alta velocidade, desfiles de alta-costura e um estilo de vida que respira sofisticação. Aprendemos a cultuar o estético, o asfalto limpo das grandes metrópoles e o progresso industrial. Mas, ao olharmos pela janela global hoje, a pergunta que ecoa com força e ironia é uma só: onde está o glamour?

Esqueçam as armas criadas pelas mãos humanas; esta raça está sendo expurgada e não adianta atirar contra o vácuo.

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O planeta está cobrando o preço do nosso egoísmo, e a fatura vem em forma de caos. A Europa, que por séculos foi o símbolo máximo da elegância e do refinamento ocidental, passa por verões apocalípticos. O continente que dita a moda agora sufoca sob nuvens de fogo. Incêndios florestais históricos devoram a vegetação na Espanha, na França e na Grécia.

Não foi preciso esperar pela destruição vinda dos mísseis e drones; a implosão veio do subsolo.

O tecido social europeu (longe de ser seda pura) se esgarçava em conflitos ideológicos e religiosos, com tensões inflamadas entre o islamismo e o cristianismo. Disputava-se o topo do mundo em nome de Deus, mas a resposta da Terra foi implacável. Hoje, sacudida por terremotos assustadores e desastres em cadeia, as brigas teológicas perdem o sentido. Onde havia o ódio da guerra santa, agora há uma trégua forçada pelo desespero: estão todos unidos em uma calamidade só.

Para aqueles que vivem encastelados em seus bunkers e bolhas de riqueza, sentindo-se imunes à agonia do planeta, a realidade bate à porta através da escassez. Os tradicionais olivais milenares do Mediterrâneo estão sendo calcinados pelos incêndios. A quebra catastrófica de safra é uma certeza; o "ouro líquido" do azeite de oliva virou fumaça.

Do outro lado do oceano, a ilusão do poder econômico também desmorona. Os barões do agronegócio no Brasil, que sempre se julgaram intocáveis em seus impérios verdes, vão sentir na pele o peso da negligência. Fazendas de milhares de hectares de soja, antes sinônimos de lucro bilionário, estão fadadas simplesmente a tornarem-se um deserto estéril de poeira e sol em breve, na expectativa de um verão tórrido. Não haverá o que colher, não haverá o que exportar, não haverá o que vender. A quebra de safra global ignora contas bancárias, cercas e fronteiras. A Terra inteira vai sofrer.

Nesse cenário de destruição, quem mais sofre são os inocentes. Os animais, seres puros colocados no mundo para coexistir em harmonia conosco, são as primeiras vítimas silenciosas. Eles perdem seus lares nas florestas e olivais em chamas, morrem de sede em rios secos ou enfrentam o colapso de seus ecossistemas sem entender o porquê. Enquanto o ser humano corre atrás de vaidades, status e lucro, destrói o lar daqueles que o Criador nos deu para proteger.

Diante dos céus vermelhos, do chão que treme, das colheitas que viram cinzas e das fortunas que viram poeira, o verniz da nossa civilização "glamorosa" derrete. Chegamos a um ponto de não retorno que nenhuma tecnologia ou riqueza pode camuflar. A verdade nua e crua traz uma conclusão dolorosa, mas inevitável: bastava ter amado mais. Bastava termos olhado para o lado com compaixão e cuidado da criação de Deus para que não chegássemos a este ponto de quase destruição. O verdadeiro glamour nunca esteve no consumo, na intolerância ou no orgulho humano; estava na santidade da vida que escolhemos ignorar.

Agora, toda a humanidade chora unida, sentada no meio-fio, com a pele rachada e encardida, magnatas e mendigos disputando uma mísera lata de sopa de jornal, aquecida na tosca fogueira. Temos uma trégua forçada: as disputas ideológicas e religiosas, que pareciam intransponíveis, perdem o sentido quando a sobrevivência se torna o único objetivo. A Terra, em sua fúria silenciosa, impõe uma comunhão que a diplomacia humana nunca conseguiu alcançar: a comunhão no desespero.