Imagine pilotar uma moto a 160 km/h quando uma seta aparece flutuando na estrada à sua frente, indicando exatamente onde virar. Sem celular, sem painel. Apenas seu capacete e uma lente do tamanho de uma miniatura. Isso não é um vídeo conceito. Está a caminho das estradas europeias ainda este ano. E é um vislumbre do futuro dos óculos inteligentes.
Nos últimos anos, as grandes empresas de tecnologia vêm apostando discretamente nesse mercado. A Meta vende óculos Ray-Ban com IA desde 2023, o Google está desenvolvendo o Android XR, e a Apple deve entrar no segmento. Na semana passada, a Samsung anunciou que lançará seus primeiros óculos com IA, co-projetados com a Gentle Monster, em um evento Galaxy Unpacked em Londres, em julho. Gigantes chinesas como Huawei, Alibaba e Xiaomi também estão se movimentando.
Os números refletem o momento. Os embarques globais de óculos com IA saltaram para 8,7 milhões de unidades em 2025, um aumento de mais de 300% em relação ao ano anterior, e analistas projetam que esse número ultrapassará 15 milhões este ano, segundo a Omdia. Fornecedores e fabricantes de componentes também estão se posicionando. A startup sul-coreana LetinAR, que passou a última década desenvolvendo tecnologia óptica para tornar esses dispositivos realmente vestíveis, acaba de garantir US$ 18,5 milhões do Korea Development Bank e da Lotte Ventures, entre outros, antes de seu IPO planejado para 2027 na Coreia do Sul. Seu investidor anterior, a LG Electronics, já começou a desenvolver seus próprios óculos inteligentes com IA, sinalizando o quão seriamente a maior empresa de eletrônicos de consumo da Coreia do Sul leva a categoria.
A LetinAR foi fundada em 2016 pelo CEO Jaehyeok Kim e pelo CTO Jeonghun Ha, amigos desde o ensino médio. A empresa não fabrica os óculos em si, mas sua tecnologia de lentes pode ser a chave para tornar os smart glasses leves, confortáveis e com boa qualidade de imagem, superando as limitações atuais de peso e campo de visão.
Conclusão: Os óculos inteligentes estão saindo dos laboratórios para as ruas, impulsionados por investimentos maciços e inovações em componentes ópticos e IA. Se a tendência se mantiver, em breve acessórios como smart glasses podem se tornar tão comuns quanto smartphones, transformando a maneira como interagimos com o mundo digital.

