Em um tom de confronto direto, o chefe de Segurança do Irã, Ali Larijani, usou a rede social X nesta segunda-feira (2) para declarar que seu país não fará acordo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "Não haverá negociação com os Estados Unidos", escreveu ele em sua conta oficial, em uma mensagem que contradiz publicamente declarações feitas por Trump no domingo (1), quando o mandatário norte-americano afirmou que o novo líder iraniano estaria interessado em negociar.

A postagem de Larijani surge em meio a uma escalada militar que já dura dias. O ataque conjunto dos EUA e Israel ao Irã, iniciado no sábado (28), não deve parar tão cedo, segundo o próprio Trump, que afirmou que as agressões continuarão até que os objetivos militares dos Estados Unidos sejam atingidos. O presidente norte-americano também fez um ultimato à Guarda Revolucionária iraniana, pedindo que entreguem as armas sob o risco de "encarar a morte".

Além da recusa às negociações, Larijani publicou outras mensagens na plataforma, nas quais acusou Trump de trair o lema "América Primeiro" e adotar o "Israel Primeiro". Em outra postagem, o chefe de segurança iraniano escreveu que o presidente norte-americano "puxou toda a região para uma guerra desnecessária e agora está devidamente preocupado com as mortes de norte-americanos. É muito triste ele sacrificar o tesouro e o sangue americano para avançar nas ambições expansionistas ilegítimas de Netanyahu".

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Os bombardeios ao Irã já causaram vítimas de alto escalão. Entre os mortos estão o Líder supremo do país, o aiatolá Ali Hamenei, e o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad. O conflito também tem impacto direto na população civil: o Irã elevou para 153 o número de estudantes mortas em um ataque a uma escola, um dado que aumenta a pressão internacional sobre as ações militares.

Enquanto isso, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a ofensiva contra o Irã será intensificada, sinalizando que a tensão deve permanecer alta. Analistas internacionais avaliam que a estratégia de derrubar o Irã busca, ao mesmo tempo, deter a influência da China na região e projetar o poder de Israel no Oriente Médio.

O cenário desenhado pelas declarações de Larijani e pelas ações militares em curso aponta para um prolongamento do conflito, com poucas perspectivas de diálogo imediato. A postura iraniana, expressa publicamente nas redes sociais, reforça a divisão e a retórica belicista, enquanto as baixas civis e políticas aumentam a complexidade de uma possível resolução.