A Cerebras Systems concluiu sua oferta pública inicial (IPO) na quinta-feira, arrecadando US$ 5,5 bilhões. As ações foram precificadas em US$ 185 na quarta-feira à noite, valor bem acima da faixa inicial de US$ 115 a US$ 125, que depois foi elevada para US$ 150 a US$ 160. A empresa também aumentou o tamanho da oferta para 30 milhões de ações. Na abertura para negociação pública, os papéis dispararam para US$ 385, mais que o dobro do preço do IPO (alta de 108%), impulsionados por investidores de varejo ávidos por garantirem participação. O entusiasmo esfriou ligeiramente nas horas seguintes, com as ações sendo negociadas a mais de US$ 330 no meio do dia, em alto volume.

Mesmo ao preço do IPO de US$ 185, a empresa entrou no primeiro dia de negociação com uma avaliação fully diluted de US$ 56,4 bilhões (considerando todas as ações). A participação do CEO e cofundador Andrew Feldman a US$ 185 por ação vale cerca de US$ 1,9 bilhão, enquanto a do CTO e cofundador Sean Lie chega a aproximadamente US$ 1 bilhão. Se a cotação acima de US$ 300 se mantiver, o valor das participações será ainda maior até o fim do dia. Há um ano, esse desfecho parecia improvável para a Cerebras, concorrente da Nvidia que desenvolveu um chip gigante do zero, projetado especificamente para IA.

A empresa havia protocolado o pedido de IPO em 2024, mas preocupações com um grande investimento da Group 42, sediada em Abu Dhabi, resultaram em uma revisão interminável pelo Comitê de Investimento Estrangeiro nos Estados Unidos (CFIUS). Além disso, os investidores estavam céticos em relação às finanças: a Group 42 era responsável por quase toda a receita da Cerebras. Por isso, os planos de IPO foram engavetados. As ambições ressurgiram em abril, quando a empresa conseguiu reportar receita dobrada: US$ 510 milhões em 2025 (alta de 76% ano a ano), proveniente de um punhado de clientes. Também registrou uma virada espetacular para o lucro líquido de US$ 237,8 milhões, contra um prejuízo de quase meio bilhão no ano anterior. Os investidores começaram a salivar.

Publicidade
Publicidade

O sucesso do IPO da Cerebras demonstra o apetite do mercado por empresas de IA, mesmo diante de riscos regulatórios e de concentração de receita. A avaliação bilionária e a valorização expressiva no primeiro dia indicam que os investidores estão dispostos a apostar em alternativas à Nvidia, desde que haja evidências de crescimento e rentabilidade. Para a Cerebras, o desafio agora é diversificar sua base de clientes e manter o ritmo de inovação para sustentar o valor de mercado conquistado.