O Fundo de Quintal chegou ao Palco ARVO, em Florianópolis, com a autoridade de quem ajudou a escrever a história do samba. Ainda na turnê de celebração dos 50 anos, o grupo mostrou no palco principal um pagode fiel à tradição que nasceu no Cacique de Ramos, no Rio de Janeiro, berço de uma geração que mudou o cenário com tantã, repique de mão e banjo.
A apresentação foi um passeio pelos grandes sucessos do samba e do pagode. A formação atual, com Sereno no tantã e voz, Ademir Batera na bateria, Júnior Itaguay no cavaquinho e voz, Márcio Alexandre no banjo e voz e Tiago Testa no repique de mão e voz, segue levando o repertório do grupo pelo Brasil e pelo exterior.
No ARVO, a abertura com “O Show Tem Que Continuar” funcionou para abrir os caminhos de maneira simbólica. Depois da morte de Bira Presidente, um dos nomes centrais da linhagem do Cacique de Ramos, a música ganhou peso ainda maior. Sereno, fundador e integrante mais antigo da formação, sustentou esse legado com vigor. No tantã, instrumento que ajudou a criar e a consolidar, ele conduziu a cadência do show.
“São 50 anos ouvindo o coro de vocês, são 36 álbuns e 7 DVDs. Para agradecer a vocês, agora vamos cantar ‘A Amizade’”, disse Sereno. A plateia respondeu com força no refrão: “A amizade nem mesmo a força do tempo irá destruir”.

