Jiu-jitsu, musicalização e sustentabilidade. Assim como matemática, história e geografia, essas são algumas das disciplinas ofertadas no Colégio Estadual Inove, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. Desde o início do ano passado, a escola faz parte do Programa Paraná Integral (PPI), iniciativa da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) que visa aumentar a jornada escolar dos estudantes da rede estadual, permitindo-lhes maior aprendizado e desenvolvimento. Os alunos da instituição passam 45 horas por semana na escola - ou nove horas por dia - tendo acesso a disciplinas eletivas e componentes curriculares diferenciados.
“A aceitação de alunos, pais e responsáveis tem sido excelente. Os estudantes demonstram entusiasmo e envolvimento nas atividades propostas, tornando o ambiente escolar mais acolhedor, participativo e dinâmico. Além disso, o modelo fortaleceu aspectos importantes como o protagonismo juvenil, a convivência, a cultura de paz e o desenvolvimento de competências socioemocionais”, relatou a diretora do Colégio Estadual Inove, Larisse Stoco.
Ao todo, 485 escolas estaduais integram o PPI e atendem mais de 99 mil estudantes paranaenses com a Educação em Tempo Integral, modelo que cresceu mais de 500% em seis anos na rede estadual - em 2020, eram apenas 82 escolas e cerca de 15 mil alunos matriculados. “O investimento na Educação em Tempo Integral é uma decisão estratégica e também uma política de Estado. Os resultados mostram como o modelo tem tido sucesso em reduzir defasagens e oferecer oportunidades que vão fazer a diferença no futuro acadêmico e profissional dos estudantes. Por isso, continuaremos investindo para que o Programa Paraná Integral siga se desenvolvendo e atinja ainda mais escolas”, projetou o secretário estadual da Educação, Roni Miranda.
Conforme o secretário, a expansão do programa foi viabilizada por investimentos do Governo do Estado para o aumento da capacidade de atendimento das escolas estaduais - além da contratação de mais professores para a jornada ampliada, a oferta da ETI demanda adequações estruturais em espaços como cozinha, refeitório e biblioteca. As escolas participantes do PPI devem ter laboratórios de Ciências e Informática, bem como demais espaços para atividades culturais e esportivas.
Em relação ao modelo regular, a Educação em Tempo Integral se diferencia pela ampliação do tempo de permanência dos estudantes, com jornadas de 35 a 45 horas semanais. Esse formato permite o desenvolvimento de atividades complementares nas áreas acadêmica, cultural, esportiva e socioemocional. A ampliação também impacta a alimentação: os estudantes recebem cinco refeições gratuitas diárias, incluindo café da manhã, almoço e lanches. As escolas do PPI aliam os conteúdos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a unidades curriculares diversificadas, obrigatórias ou eletivas.
No Ensino Fundamental, por exemplo, há aulas de Arte e Movimento; Pensamento Lógico e Cidadania Digital; e Projeto de Vida, que apoia o estudante na definição de metas de curto, médio e longo prazo. Já alunos do Ensino Médio cursam Corresponsabilidade Social e Sustentabilidade, além de preparação para vestibulares. Componentes eletivos permitem que o estudante personalize o aprendizado, com opções como Teatro, Gastronomia, Empreendedorismo, Jogos e Brincadeiras Antigas, Inteligência Artificial, Engenharia do Futuro, Produção de Repelentes Naturais e Viagem ao Mundo Antigo do Egito. Há ainda aulas de Robótica e Programação, práticas científicas experimentais e momentos de estudo orientado.
“Temos muitas atividades diversificadas, em que podemos usar a criatividade e temos espaço para sonhar e planejar o nosso futuro. Participei da eletiva de Culinária, onde aprendi a fazer várias receitas e criar pratos novos, e também a de História, na qual aprendi mais sobre o passado”, contou Yasmim Foster, de 13 anos, estudante do 8º ano.
O acompanhamento pedagógico conta com professores coordenadores de área (PCA), que apoiam o desenvolvimento em diferentes componentes e contribuem para o acompanhamento próximo do desempenho. Os resultados aparecem em indicadores educacionais: escolas do programa registram índices de reprovação e abandono inferiores à média da rede. “Eu gosto muito da forma como o Integral nos acolhe, nos fazendo criar laços muito grandes aqui dentro. Como passamos 9 horas por dia aqui dentro, criamos vínculos com os colegas, professores e com a equipe diretiva da escola”, observa a estudante Luiza de Araújo Pereira, de 15 anos, da 2ª série do Ensino Médio.
As instituições também registraram crescimento nas notas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb): em 2019, a média era 4,3; subiu para 4,5 em 2021 e 4,7 em 2023. O engajamento e o protagonismo dos estudantes são conceitos centrais. “Os alunos deixam de ser apenas espectadores e passam a assumir um papel ativo, com espaço para opinar, participar de decisões, liderar projetos e colocar ideias em prática. Isso significa jovens mais engajados, preparados para desafios e conscientes do seu papel na sociedade”, explica Marytta Rennó, coordenadora do PPI.
As escolas incentivam clubes de protagonismo, como jogos de cartas, pingue-pongue, futebol de areia, unhas e penteados, geralmente na hora do almoço. Em sala de aula, líderes de turma dialogam com a equipe pedagógica e apoiam o professor. Alunos destacados participam de formações online de Jovens Protagonistas, que culminam em um encontro presencial anual com estudantes de todo o Paraná.

