O céu noturno apresentou um espetáculo astronômico nesta terça-feira (3), com um eclipse lunar total que transformou a lua cheia em uma esfera avermelhada, fenômeno popularmente conhecido como lua de sangue. O evento começou às 5h44, no horário de Brasília, e completou suas fases principais entre 8h04 e 9h02, momento em que a lua já havia se posto na maior parte do território brasileiro.
O eclipse lunar total ocorre quando a Terra se posiciona exatamente entre o sol e a lua, projetando sua sombra sobre o satélite natural. Quando a lua entra completamente na parte mais escura dessa sombra, chamada de umbra, ela adquire a característica coloração avermelhada que dá nome ao fenômeno. Esse alinhamento perfeito dos três corpos celestes só acontece durante a fase de lua cheia.
O fenômeno segue quatro etapas distintas: primeiro vem o eclipse penumbral, quando a lua entra na penumbra da Terra, resultando em um escurecimento sutil quase imperceptível a olho nu; em seguida, o eclipse parcial, onde a umbra terrestre começa a cobrir o disco lunar, criando o efeito visual de uma "mordida" na lua; depois, o início da totalidade, momento em que a lua está completamente imersa na umbra e adquire a coloração vermelha; e finalmente o máximo do eclipse, quando a lua atinge seu ponto mais escuro antes de começar a sair da sombra.
No Brasil, porém, o espetáculo foi parcial. Segundo Thiago Signorini Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apenas a região norte do país teve condições de observar o fenômeno, e mesmo assim de forma limitada. "No Brasil, infelizmente, não. Mas quem estava na região norte, se o tempo estava bom, conseguiu ver, pelo menos, a lua bastante encoberta antes de se pôr. A lua estaria com um bom pedaço coberto, como uma lua crescente. O avermelhado que as pessoas chamam de lua de sangue não foi possível ver desta vez no Brasil", explicou o astrônomo.
A totalidade do eclipse pôde ser apreciada com mais clareza nas ilhas do Pacífico, onde as condições de visibilidade foram ideais. O último eclipse lunar total visível no Brasil havia ocorrido em 14 de março de 2025, destacando a relativa raridade desses eventos para observadores brasileiros.
Signorini Gonçalves adiantou que os entusiastas da astronomia não precisarão esperar muito por uma nova oportunidade: no dia 28 de agosto, a lua estará 93% encoberta. "Não é um eclipse total, mas já deve ser suficiente para ver o tom avermelhado", garantiu o diretor do observatório.
Em média, os eclipses lunares totais podem ser observados a cada três anos em um determinado local, mas esse intervalo pode variar significativamente. Para os brasileiros ansiosos por ver uma lua de sangue completa, a próxima chance será no dia 26 de junho de 2029, quando um eclipse lunar total será visível em todo o território nacional, oferecendo finalmente a oportunidade de testemunhar o espetáculo celeste em sua plenitude.

