O Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) lançou uma iniciativa que promete dar um novo rumo ao conhecimento científico sobre a biodiversidade da floresta. O Desafio Bioinovação Amazônia tem como objetivo transformar pesquisas em produtos e negócios de impacto global, criando oportunidades concretas para as comunidades tradicionais da região.

A iniciativa convoca profissionais para solucionar seis desafios específicos nos setores de alimentação, cosméticos e novos materiais verdes. A proposta é utilizar matérias-primas amazônicas como castanha-do-brasil, açaí, andiroba, copaíba, murumuru, buriti, babaçu e borracha nativa como base para inovações que possam chegar ao mercado.

O programa busca dois perfis distintos de participantes. O primeiro são os "Inovadores": pessoas com experiência comprovada em biodiversidade amazônica, que residem ou atuam profissionalmente na região e têm interesse em empreendedorismo ou licenciamento de tecnologia. O segundo perfil são especialistas em pesquisa e desenvolvimento (P&D) com experiência internacional nos setores-alvo, disponíveis para atuar como mentores presenciais e remotos ao longo do programa.

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Dez pessoas serão selecionadas para uma experiência imersiva de 15 dias na Amazônia, com cerca de dez dias em Manaus e cinco dias em comunidades rurais da região, dependendo do desafio escolhido. Todos os custos da imersão serão cobertos pela organização.

O programa está estruturado em quatro fases: seleção de talentos (online), formação de equipes e design da solução (online), imersão e validação (com residência na Amazônia e atividades online) e cerimônia de premiação final (presencial).

Os selecionados receberão um pacote de apoio significativo. Os "inovadores" ganharão bolsas mensais que variam de R$ 3,5 mil a R$ 7,5 mil por mês durante seis meses, conforme seu nível de formação. Já os especialistas em P&D receberão bolsas mensais entre US$ 650 e US$ 1,3 mil pelo mesmo período.

Além das bolsas, cada equipe contará com um fundo de validação de R$ 100 mil para insumos, reagentes e testes especializados. O programa também oferece suporte laboratorial do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), mentoria especializada, além de passagens e hospedagem em Manaus.

A premiação final contemplará três pessoas com valores de R$ 200 mil, R$ 150 mil e R$ 100 mil, conforme a colocação. Os vencedores também se tornarão parceiros da Zôma, a geradora de negócios do Idesam, e receberão suporte jurídico para adequação à Lei da Biodiversidade, acesso a redes de mercado e apoio estratégico contínuo para a criação do negócio.

A iniciativa se conecta com outras ações em andamento no país. Recentemente, o Fundo Amazônia anunciou que premiará iniciativas de povos tradicionais, e o governo federal apresentou um plano para desenvolver a bioeconomia brasileira.

O Desafio Bioinovação Amazônia conta com financiamento do Bezos Earth Fund e parcerias importantes como a Penn State University (EUA), a Rede Terra do Meio e a Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Coopeacre).

A proposta representa uma tentativa concreta de criar pontes entre o conhecimento tradicional, a pesquisa científica e o mercado, demonstrando que é possível gerar desenvolvimento econômico enquanto se preserva a maior floresta tropical do planeta.