A Cerebras Systems, hoje uma empresa pública que vende chips para inferência de IA para gigantes como OpenAI e AWS, realizou uma oferta pública inicial (IPO) de grande sucesso na quinta-feira, tornando seus dois cofundadores bilionários e encerrando a semana avaliada em cerca de US$ 60 bilhões. No entanto, em 2019, quando tinha apenas três anos, a empresa esteve perigosamente perto da falência – queimando uma quantia chocante de dinheiro enquanto tentava resolver um problema técnico que ninguém na indústria de semicondutores acreditava ser possível.

O desafio técnico e o quase colapso

“Estávamos gastando cerca de US$ 8 milhões por mês”, disse o CEO e fundador Andrew Feldman ao TechCrunch sobre aquele período. “Neste ponto, tínhamos queimado quase US$ 200 milhões tentando resolver um único problema técnico.” A cada poucas semanas, Feldman era forçado a fazer a dolorosa caminhada da vergonha até a reunião do conselho para relatar outra falha e mais dinheiro queimado. Mas ele não tinha escolha. Sem uma solução, a Cerebras estaria morta de qualquer forma.

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A ideia inovadora

A empresa foi fundada com uma ideia simples no papel. A indústria de microprocessadores passou mais de 50 anos tornando as CPUs mais rápidas e baratas, comprimindo mais transistores em uma pastilha de silício e cortando as pastilhas em pedaços cada vez menores. Mas a IA exigia tanta potência computacional que muitos chips precisavam ser interligados e forçados a se comunicar entre si. Os fundadores da Cerebras acreditavam que transformar uma pastilha inteira, ainda maior, em um único chip gigante e poderoso funcionaria mais rapidamente. O problema era que ninguém nunca havia feito isso antes, por qualquer motivo, fosse IA ou não. Orquestrar tantos componentes eletrônicos microscópicos em uma superfície maior, mas ainda fina, introduzia problemas de engenharia compostos.

O gargalo da embalagem

Depois que a Cerebras cruzou o primeiro limiar de projetar o megachip e fabricá-lo com a TSMC, a equipe enfrentou o verdadeiro obstáculo: eles não conseguiam resolver a “embalagem” – o processo de envolver o chip em um gabinete que o conecta ao resto do sistema. A equipe de Feldman queimou milhões em tentativas frustradas até que finalmente encontraram uma solução, permitindo que a empresa lançasse seu primeiro chip Wafer Scale Engine (WSE) em 2019.

Conclusão

A história da Cerebras é um exemplo de como a inovação radical pode levar uma startup à beira do abismo e, em seguida, ao sucesso estrondoso. Ao superar os desafios técnicos e financeiros, a empresa não apenas sobreviveu, mas se tornou um player relevante no mercado de chips de IA, culminando em um IPO que a avaliou em dezenas de bilhões de dólares.