A Cloudflare anunciou nesta quinta-feira a demissão de aproximadamente 20% de sua força de trabalho, o equivalente a 1.100 pessoas, mesmo tendo reportado uma receita trimestral recorde de US$ 639,8 milhões – um aumento de 34% em relação ao ano anterior. A empresa de segurança e desempenho na internet juntou-se a outras gigantes da tecnologia, como Meta, Microsoft e Amazon, que também combinaram crescimento de receita com grandes cortes de pessoal, atribuindo ambas as tendências ao uso de inteligência artificial (IA).

Em sua primeira grande demissão em 16 anos de história, a Cloudflare está cortando funcionários de todas as equipes e geografias, exceto vendedores com metas de receita, conforme detalhou o CFO Thomas Seifert. O CEO Matthew Prince afirmou que a redução não visa cortar custos, mas sim reflete a adoção de IA pela empresa. Apesar do aumento da receita, o prejuízo líquido aumentou para US$ 62 milhões, contra US$ 53,2 milhões no mesmo período do ano anterior. No entanto, a empresa destacou indicadores positivos, como uma carteira de obrigações de desempenho remanescentes (RPO) de US$ 2,5 bilhões, também com crescimento de 34%.

A decisão da Cloudflare evidencia um paradoxo no setor de tecnologia: empresas estão crescendo rapidamente, mas ainda lutam para obter lucratividade consistente, ao mesmo tempo que recorrem a demissões em massa impulsionadas pela automação e IA. O movimento levanta questões sobre o impacto social da adoção tecnológica e a sustentabilidade de modelos de negócio que priorizam eficiência em detrimento do emprego.

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