O BaianaSystem transformou o ARVO Festival em uma gigantesca panela de pressão. No palco principal da 10ª edição do evento, realizada neste sábado (16) em Florianópolis, o grupo baiano entregou aquilo que virou sua marca: graves tremendo a terra e corpos em transe.
O DNA BaianaSystem apareceu misturando berimbau, bateria, MPC, guitarra baiana e seção de metais. Reforçando, assim, a ponte entre rua, carnaval, sound system e música pop que já virou uma especialidade da casa. Russo Passapusso entrou em cena de boina branca, jaqueta bomber preta com detalhes quadriculados na manga e uma bandeira preta e branca do Brasil amarrada na cintura. No lugar de “Ordem e Progresso”, a frase dizia: “meu axé é resistência”. E não faltou axé.
“Alfazema” e “Reza Forte” abriram os caminhos pedindo licença. Também entraram no fluxo “A Vida É Curta Pra Viver Depois”, “Saci”, “Capim Guiné”, “Lucro (Descomprimindo)” e “Miçanga”. Em “Saci”, o palco ganhou ainda um dançarino vestido como o personagem, fumando um cachimbaço. A cantora “brachilena” Claudia Manzo acompanhou a banda. Ela adicionou uma salsa latina ao tempero baiano, como em versões de clássicos como “Quizás” e “Gracias a La Vida”.
O show também trouxe material recente. “O Mundo Dá Voltas”, faixa-título do álbum lançado em 2025, apareceu dentro do repertório. Na pista, a resposta foi imediata. Corpos suados se agrupavam em rodas enormes, abrindo e fechando o espaço-tempo conforme o grave batia. De fato, o BaianaSystem costuma ter esse efeito na audiência: não há espaço para contemplação no Navio Pirata, o show exige participação plena.

