Em meio às celebrações do Abril Indígena, diversos equipamentos culturais da cidade de São Paulo se mobilizam para oferecer uma programação especial em homenagem aos povos originários. O período, celebrado anualmente, vai muito além das expressões tradicionais, destacando também a obstinação e a resistência que marcam a história desses povos desde a chegada dos europeus ao Brasil.

No coração do bairro da Água Branca, o Museu das Culturas Indígenas assume um papel central na preservação da cultura ameríndia e oferece atividades variadas. Entre as atrações, estão desde uma oficina de maracá, instrumento musical conduzida pelo grupo Yamititkwa Sato, do povo fulni-ô, de Águas Belas, Pernambuco, até um show da musicista pernambucana Siba Puri, que se autointitula voz do "reggae originário".

Já no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP), a exposição Resistência já! se destaca ao abordar a luta dos povos kaingang, guarani nhandewa e terena. A mostra exibe objetos, roupas e fotografias datados do fim do século 19 a 1947, cuidadosamente selecionados pelos próprios indígenas, oferecendo um olhar autêntico sobre sua história e resistência.

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A Caixa Cultural também entra na programação com um dos destaques da temporada: a peça Ideias para adiar o fim do mundo, baseada na obra do poeta, escritor e líder político-espiritual Ailton Krenak. O espetáculo, protagonizado por Yumo Apurinã e dirigido por João Bernardo Caldeira, traz reflexões sobre as crises contemporâneas e fica em cartaz de quinta-feira (9) a domingo (12), com entrada gratuita. Na sexta-feira (10), a sessão contará com recursos da Língua Brasileira de Sinais (Libras), e os ingressos serão distribuídos uma hora antes, com limite de um por pessoa.

Para quem deseja mergulhar no universo teatral, no próximo fim de semana, das 14h às 17h, Yumo Apurinã conduz uma oficina que revela exercícios utilizados por atores e atrizes, com 25 vagas disponíveis e inscrições feitas pela internet. A classificação indicativa é de 16 anos. Além disso, de 14 a 19 de abril, turmas de adultos e crianças poderão participar de uma jornada corporal de três horas, explorando brincadeiras como peteca, Jogo da Onça e corrida de tora, com foco na harmonia entre seres humanos, natureza e ancestralidade. As inscrições devem ser feitas previamente.

O mês se encerra na Caixa Cultural com mais uma tarde de Contação de Histórias - Histórias de Povos Ancestrais, no dia 25. A atividade, de classificação livre e voltada principalmente a jovens e adultos, apresenta narrações guarani, yanomami e tukano, revelando como esses povos entendem a origem do mundo e os princípios que os guiam diariamente.

O Sesc SP também se integra à celebração com uma programação diversificada. Aos sábados, ao longo de todo o mês de abril, educadores do Sesc em Jundiaí compartilham criações de diferentes povos indígenas, permitindo que participantes a partir de 3 anos produzam obras próprias inspiradas nessas referências. Na unidade da Pompeia, em São Paulo, o curso Cosmologia e Pintura Astronômica Indígena oferece uma imersão de vários dias, com inscrições já abertas para as aulas que ocorrem de 14 a 17 de abril.

Em Piracicaba, no próximo domingo (12), Duhigó, indígena do povo tukano, ensina sobre grafismos, composições geométricas usadas em objetos e pinturas corporais, em uma atividade voltada a crianças de até 12 anos. Na mesma data, a unidade exibe o longa-metragem Wiñaypacha, dirigido por Óscar Catacora, que retrata a vida de um casal de idosos isolado nos Andes peruanos.

Outras atrações da rede Sesc incluem a exibição do filme Amazônia, a Nova Minamata em São José dos Campos, ainda no domingo, e a sessão de Terras em Presidente Prudente na terça-feira (14), esta última com ingresso pago. Na quinta-feira (16), em Santo Amaro, na capital paulista, os pankararu compartilham um pouco de seu ritual espiritual, o toré, permitindo ao público entrever essa tradição ancestral.

Essa ampla programação reforça o compromisso dos equipamentos culturais de São Paulo em valorizar e difundir a riqueza das culturas indígenas, promovendo um diálogo necessário sobre resistência, ancestralidade e diversidade no Brasil contemporâneo.